O discursivo argumentativo em Manuel Teixeira-Gomes

Flexslider

» » » O discursivo argumentativo em Manuel Teixeira-Gomes

Breves apontamentos sobre a argumentação

A importância que a argumentação assume no presente na área da Linguística do Texto é uma recuperação do seu valor na Antiguidade, pois, indissociável da retórica, esta é, inicialmente, “uma «arte de convencer», ligada a situações concretas que representam exclusivamente a necessidade de persuadir um auditório”.

Está associada à invenção grega da democracia e das suas instituições: o tribunal com júris populares numerosos onde escutam os litigantes, ou o ágora, a assembleia de cidadãos, que também “ouve os oradores, delibera e toma decisões respeitantes à cidade, os ajuntamentos onde se pronunciam os elogios, por exemplo fúnebres, que permitem exaltar e enriquecer os valores da cidade”.

A este tempo pertencem os dois primeiros períodos da retórica judicial ou argumentativa, segundo Breton e Gauthier, os períodos fundador e de maturidade. Depois, verifica-se progressivamente a separação entre a componente da argumentação retórica e a componente da argumentação mais “literária” da retórica, interessada nas figuras de estilo e modalidades de expressão: a componente argumentativa vê reduzida a sua importância, na medida proporcionalmente inversa ao êxito da demonstração e das ciências exactas e experimentais, sucesso esse que conhece o seu apogeu com Descartes.

Historicamente, depois de Cícero, a soberania dos auditórios é transferida para o imperador, o que também promove a estética do discurso mais do que o seu carácter convincente. É o período do declínio, em finais do Império até meados do século XX, sendo, de acordo com os mesmos autores, este o momento do período da renovação: a retórica, na sua acepção da argumentação ou a “nova retórica”, assim designada pelo jurista e filósofo belga Chaïm Pereleman em Traité de l’argumentation: la rhétorique; deste estudioso e de Lucie Olbrechts-Tyteca renasce a retórica em 1958, juntamente com a investigação anglo-saxónica de Stephen Toulmin, materializada em The Uses of Argument.

Hoje em dia, “retórica” é uma palavra polissémica, com sentido pejorativo em alguns contextos: se um discurso for apelidado de “retórico” o intuito é “anunciar o seu carácter superficial, artificial ou dissimulador”.

Tendo em consideração o percurso da retórica até aos nossos dias, esta hoje recupera o seu primeiro sentido enquanto discurso argumentativo construído em função de um fim, e ultrapassa-o, na medida em que se reconhece em qualquer momento de comunicação a difusão de uma tese, cuja complexidade dependerá das características do discurso em que se insere.

Ao considerar-se que a concepção de qualquer discurso tem um objectivo final, considera-se, igualmente, a necessidade de este ser um texto de relativa homogeneidade que tem em conta os conceitos (enunciados por van Dijk) de coesão (relações estabelecidas entre elementos) e coerência (boa formação textual). De um modo geral, pode associar-se as características macro-estruturais à coerência, e as características micro-estruturais à coesão. Num contexto de análise argumentativa, o objectivo poderá então consistir em assinalar: em termos de coerência, uma intenção discursiva argumentativa global no(s) texto(s); e, consequentemente, para efeitos de coesão, a sua articulação entre argumentos e conclusões.

Por intenção argumentativa global entende-se a ideia ou objectivo final que o locutor pretende transmitir, que poderá ser explicitada no seu discurso, ou comunicada de modo mais ou menos disseminado, pois a argumentação é uma potencialidade intrínseca da língua.

Perspectivas de estudo da argumentação

Uma perspectiva de estudo da argumentação é a da Argumentation Dans la Langue de Ducrot, conjugada com um fenómeno anteriormente assinalado por Bakhtine, a polifonia, e que tem por base o conceito musical referente à sobreposição de diferentes partituras, derivando, depois, para a literatura e, finalmente, para linguística.

Como termo linguístico, polifonia é a adaptação da teoria de Bakhtine à análise linguística de pequenos enunciados do discurso, pondo em causa o axioma da unicidade do sujeito falante, ou seja, uma única pessoa que fala por detrás de um enunciado.

Ducrot acredita que “el autor de un enunciado no se expresa nunca directamente, sino que pone en escena en el mismo enunciado un cierto número de personajes. (...) el sentido del enunciado no es más que el resultado de las diferentes voces que allí aparecen”, e que estas vozes reflectem que “en un mismo enunciado hay presentes varios sujetos con status lingüísticos diferentes”.

Desta forma, Ducrot define três categorias de pessoas ou funções que falam num enunciado: o sujeito falante: o ser empírico, real, o autor (portanto, exterior à produção linguística, e como tal, a sua identificação, não sendo um problema desta ordem, não é relevante do ponto de vista linguístico); o locutor: aquele que fala no texto e a quem se atribui a responsabilidade enunciativa; é uma entidade inerente ao cotexto linguístico (num contexto ficcional, poderá ser o narrador ou as personagens, alguém que revela pontos de vista ou dá entrada e saída às mesmas); e o(s) enunciador(es): é (são) o(s) ponto(s) de vista abstracto(s) apresentado(s) e que pode(m) ser identificado(s) com o do locutor.

Na mesma linha de pensamento segue Grize, para quem é possível “concevoir l’argumentation d’un point de vue plus large [que não restrito a uma situação jurídica] comme une démarche qui vise à intervenir sur l’opinion, l’attitude, voire le comportement de quelqu’un”; por isso, na opinião deste autor, o leitorespectador é também actor, na medida em que se pode distinguir três momentos da sua actividade: receber (a disposição de reconstruir a esquematização de quem produziu o enunciado, e ter condições reais de o fazer), concordar (não ter objecções a apresentar à esquematização), e aderir (assimilar a esquematização do Outro).

Os enunciadores são parcelas do locutor, perfazendo-o na sua totalidade. Ou, como afirma Jean-Blaise Grize, são imagens de quem fala, pois a partir do discurso de um emissor-A, é possível inferir a imagem que A pensa que o seu receptor-B tem de si próprio, e que pode, ou não, ser (re)construída por B no momento de descodificação do discurso. Somos, então, B que reconhece as imagens projectadas de A, no momento da descodificação e análise do texto.

Note-se, então, que qualquer enunciado apela ao discurso do próprio locutor, mas também a pontos de vista ou perspectivas de outros sobre o tema ou assunto em questão. A noção do Outro é, assim, duplamente redimensionada: não só este está sempre presente, no sentido de que se fala sempre para alguém, como o seu ponto de vista de vista e de outros está incorporado no discurso do locutor.

A teoria polifónica da enunciação de Ducrot está associada a uma perspectiva de argumentação na língua, na medida em que “plantea que las argumentaciones realizadas en el discurso están determinadas por las frases de la lengua y que esta argumentación es independiente, al menos parcialmente, de los hechos expresados en los enunciados.”

Ou seja, apesar do significado do enunciado dar indicações sobre qual a conclusão (o mesmo é dizer “que ejerce una especie de coacción para imponer lo que debe ser la conclusión” ou uma intenção argumentativa global), o sentido de um enunciado consiste na descodificação dos pontos de vista (ou possíveis enunciadores) e nas origens dos mesmos, que compõem o potencial argumentativo do enunciado, sendo que as conclusões daí retiradas podem ser implícitas e assumidas ou não pelo enunciador.

Deixando de lado a função argumentativa inerente a unidades lexicais demonstrada por Ducrot, o estudo da argumentação tem-se centrado em aspectos de coesão, nomeadamente sobre a função dos advérbios, conjunções e locuções conjuntivas que “jouent un rôle de connexion entre unités du discours“, considerando Adam que a intenção argumentativa de um discurso poderá também depender do uso destas palavras, dividindo os diferentes tipos de conectores de acordo com a sua função: os conectores que estabelecem uma simples função de conexão, os conectores que marcam enunciativamente o discurso, e os conectores argumentativos.

Os conectores que estabelecem uma simples função de conexão são igualmente chamados de organizadores, pois “jouent un rôle important dans le balisage des plans de texte”, estabelecendo uma conexão simples, entendida como segmentar e religar. Visto que “ordonnent les éléments de la représentation discursive sur les deux axes majeurs du temps et de l’espace“, podem  subdividir-se em organizadores espaciais (ex.: à esquerda, à direita, à frente, atrás, um ao lado do outro…), organizadores temporais (ex.: então, de seguida, [e] depois, a véspera, agora…), e ainda em organizadores enumerativos que segmentam e ordenam o discurso (ex.: e, ou, também, primeiro, por último…).

O segundo tipo de conectores, também designados conectores de reformulação que reflectem uma retoma metalinguística (ex.: quer dizer, dito de outra forma, em uma palavra…), podem associar a essa retoma metalinguística uma marca comparável àquela dos marcadores de integração linear conclusivos (ex.: em suma, finalmente, em conclusão…).

Por fim, os conectores argumentativos reúnem as funções de segmentação dos enunciados e de responsabilidade enunciativa:

Ils orientent argumentativement la chaîne verbale en déclenchant un retraitement d’un contenu propositionnel comme un argument, soit comme une conclusion, soit comme un argument chargé d’étayer ou de renforcer une inférence ou encore comme un contre-argument.

O autor considera que desta última categoria fazem parte os organizadores argumentativos e concessivos (ex.: mas, no entanto…); os introdutores de explicação e de justificação (ex.: porque, visto que…), o se hipotético, e os simples marcadores de um argumento (ex.: mesmo, não somente…).


Análise de textos

Pela sua natureza reflexiva, como excelentes exemplos de produção de enunciados premeditados, serão objecto de análise textos do domínio discursivo literário: exemplos de «A Cigana» e «Margareta», da colecção Novelas Eróticas, de Manuel Teixeira-Gomes.

Nos exemplos, o(s) locutor(es) (aqui entendido segundo Ducrot, apresenta(m) alguma homogeneidade de texto para texto, que deverá(ão) ser categorizado como personagem complexa, principalmente considerando o conjunto das novelas: uma personagem que mascara a vaidade pessoal de se ter relacionado com algumas belas mulheres, e de cujo término de relação se descompromete, ao atribuir a responsabilidade a terceiros, amplificando o efeito narcisista, na medida em que se considera especial pelas experiências vividas.

Recorde-se que Ducrot defende que a tentativa de convencer o Outro é uma capacidade intrínseca da língua, bem como a característica de algumas palavras possuírem um conteúdo argumentativo inerente, os conectores. A teoria polifónica da enunciação parte do conceito de polifonia discursiva de Ducrot, que considera a presença de diferentes sujeitos com estatutos linguísticos distintos num enunciado, representando pontos de vista diferentes partilhados por um locutor.

«A Cigana», uma novela composta por uma carta que antecede a narrativa propriamente dita (os envolvimentos românticos do locutor com três jovens na Andaluzia), pode ser analisada de acordo com os princípios enunciados por Ducrot, sendo distinguíveis as seguintes vozes: do autor empírico, aquele cujo nome figura na capa, Manuel Teixeira-Gomes, personagem de carne e osso, e que escreve uma carta (ou que escreve uma narrativa) para António Patrício, personagem também real; do locutor, aquele que fala no Presente do Indicativo e revela as suas experiências passadas a um destinatário; e ainda de enunciadores diversos, como por exemplo, os ecos de uma personagem amiga do locutor chamada Pepe Cuadrado.

Tendo em conta alguns dos enunciados de «A Cigana», podemos constatar que no enunciado “Os meus amigos, a fina flor da estúrdia sevilhana, já troçam da minha indecisão.” subsistem vozes de diferentes origens: para além do locutor (que coincide com a figura de um enunciador), existe um enunciador que corresponde a quem fala na parte do enunciado considerada sintacticamente o aposto, que especifica quem são os amigos do locutor e representa o discurso de uma consciência cívica e moral sevilhana (“a fina flor da estúrdia sevilhana”); é apresentado também um terceiro enunciador que constata o eco dos discursos gozadores dos amigos do locutor condensados numa só frase (“já troçam da minha indecisão”).

Um outro exemplo onde existem mais de dois locutores diferentes é “Esa mujer – observa ele – no pasa de una vulgar criminal. Goza con tus sufrimientos.”, divisível num primeiro enunciado da autoria do locutor, “observa ele”, e num conjunto de outros enunciados “-Esa mujer no pasa de una vulgar criminal. Goza con tus sufrimientos”.

Este último tem como locutor Pepe Cuadrado e diversos enunciadores cuja identificação é mais complexa que os enunciados anteriores: um primeiro enunciador que corresponde àquele que reproduz a expressão “criminosa vulgar” utilizada para descrever aqueles que tenham cometido algum acto ilícito de pequena monta; um segundo que reflecte o uso da mesma expressão utilizada normalmente para “criminosos de segunda” associada a pessoas de má índole e que, por isso, deveriam receber qualquer tipo de castigo como os delinquentes; um outro enunciador que utiliza a expressão “criminoso vulgar” no campo amoroso para quem não respeita os sentimentos do outro, devendo também ser castigado; e por fim, um quarto enunciador que faz o mesmo uso da expressão que o terceiro enunciador, mas que também lhe atribui um contexto, visto que se refere à noiva do amigo, e que acrescenta que esta não o respeita, partilhando a responsabilidade de também ser o locutor destes enunciados e contribuindo para a formação de auréola de simpatia em torno do amigo, apresentando-o com uma atitude subserviente perante a noiva.

Desta forma, é possível percepcionar que em «A Cigana» existe um locutor que relata um acontecimento, e que ao reproduzir em discurso directo ou no seu próprio discurso o que outras personagens e outras vozes disseram parece crer tornar a história mais verosímil ou credível, mais fácil de lhe ser atribuível crédito por quem leia o discurso do locutor, na medida em que existem várias vozes que expressam ideias como as suas, tratando-se também de uma partilha da responsabilidade enunciativa, como é o caso de alguns discursos de Pepe Cuadrado sugerindo um castigo para a noiva do amigo (telepatia do que Cigana havia dito na noite anterior, quando se relacionava com o locutor, levando a noiva a ter uma síncope), o que contribui para uma leitura final dos acontecimentos.

Depende, então, do leitor deixar-se seduzir pela argumentação do seu locutor: ou ingénuo, acredita nas suas palavras e não valoriza o desenlace inverosímil: o ataque da noite provocado pela telepatia da noite anterior.

Portanto, no caso de «A Cigana», de acordo com Grize, ou recebe, concorda e adere ao relato; ou alerta da intenção persuasiva inerente a toda a produção linguística, põe em causa o contrato implícito entre o locutor e o seu interlocutor, e recebe, mas não concorda nem adere ao discurso do Outro.

Admitindo-se que num texto literário se manifeste a intenção de convencer o leitor da conclusão a que deve chegar ou aderir, esse objectivo poderá ser dissimulado ao longo do texto; no entanto, tendo em conta que o final da narrativa é a última oportunidade para persuadir o leitor do ponto de vista do locutor, tomar-se-á em conta alguns dos parágrafos finais.

Em «Margareta», quer-se fazer crer que o Destino interveio e não quis que o locutor e Margareta se reencontrassem, pois o este tinha-se demorado em várias cidades no seu caminho até ao local combinado. Este facto, juntamente com a parecença física constantemente notada pela comitiva da jovem com alguém que prejudicaria o seu pai nos negócios, deverá ser contabilizado como mais uma adversidade.

Apesar de se isentar de qualquer responsabilidade em relação aos acontecimentos, a lembrança de Margareta no presente, marcada pelo marcador temporal “ainda hoje”, é agri-doce, e precursora da frase contraditória na qual o locutor afirma, apesar de não ter qualquer tipo de culpa (repare-se na expressão “sem culpa alguma” destacada entre vírgulas), recordar-se de Margareta com remorso.

Ainda lhe escrevi mas as cartas voltaram-me recambiadas por insuficiência de endereço. Esperaria ela que eu a fosse buscar à América? Isso era, precisamente, o que teria feito… se pudesse. Pobre Margareta! e pobre de mim, que, sem culpa alguma, ainda hoje a sualembrança me atormenta como um remorso…

Atente-se no uso do conector organizador “mas” (opõe dois argumentos orientados para conclusões diferentes, enfatizando a segunda), iniciando a frase na qual o locutor se isenta de toda e eventual culpa por não se ter dado o reencontro, apesar de ele ter tentado reatar a comunicação entre ambos através do expediente ao seu alcance.

A hipótese de procurá-la na sua terra é assim descartada, por falta de meios próprios, resumida na expressão pronominal anafórica “isso” e enfatizada pelo advérbio de modo “precisamente”, que confirma o ponto de vista enunciativo do locutor, ou seja, a acção que teria sido empreendida caso tivesse disponibilidade para tal.

Conclusão

No início, foi assinalado o facto da argumentação ter sido primeiramente encarada como um fenómeno exclusivamente retórico. Hoje é objecto de estudo dos pontos de vista discursivo e linguístico através, por exemplo, da análise da intenção do locutor, obediente aos princípios da boa coerência textual, alicerçada na escolha lexical em geral, e dos conectores em particular, para além de atribuir um papel activo a todos os enunciadores discursivos e ao próprio leitor na descodificação do conteúdo.

Ducrot e a sua teoria Argumentation dans la Langue (a argumentação no seu sentido lato), na qual a tentativa de convencer o Outro é uma capacidade intrínseca da língua, bem como a característica de algumas palavras possuírem um conteúdo argumentativo intrínseco, os conectores, são exemplos de enquadramentos teóricos de estudo, tal como Grize que não restringe a argumentação a situações jurídicas, concebe-a como “une démarche qui vise à intervenir sur l’opinion, l’attitude, voire le comportement de quelqu’un”; por isso, na opinião deste autor, o leitor-espectador é também actor, na medida em que se pode distinguir três momentos da sua actividade: receber (a disposição de reconstruir a esquematização de quem produziu o enunciado, e ter condições reais para o fazer), concordar (não ter objecções a apresentar à esquematização), e aderir (assimilar a esquematização do Outro).

A tese argumentativa defendida implicitamente pelo locutor destes exemplos foi a de que outrora se relacionou acidentalmente com mulheres belíssimas cujo desfecho de relação tem sempre algo de curioso, e do qual se demarca em termos de responsabilidade.

A sua desresponsabilização pode ser disseminada pela interferência de outras personagens, seja através da presença do Destino sugerida na narrativa, pelo encaixe subtil do discurso de outrem ou visível através do desdobramento de vários enunciadores de acordo com a polifonia discursiva, o que permite estabelecer um padrão narrativo ou assinalar a composição de uma estratégia argumentativa.

Em suma, tendo por objecto os exemplos em estudo neste trabalho, esta apresentação dedicou-se a abordar a temática da argumentação como elemento intrínseco ao discurso humano.


Excerto do artigo "O discursivo argumentativo em algumas novelas de Manuel Teixeira-Gomes" de Carla Teixeira
Investigadora do Centro de Linguística da Universidade NOVA de Lisboa
http://jiclunl.fcsh.unl.pt/wp-content/uploads/sites/43/2018/02/IFPL_Carla-Teixeira.pdf

Share

You may also like

Sem comentários

Leave a Reply

Feature