Biografias

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    Clarice Lispector - Biografia (1920-1977)

    A Vida:

    Haya Pinkhasovna Lispector nasceu no dia 10 de dezembro de 1920 na cidade ucraniana de Tchetchelnik.

    Descendente de judeus, os seus pais Pinkhas Lispector e Mania Krimgold Lispector, passaram os primeiros momentos de vida de Clarice fugindo da perseguição aos judeus durante a Guerra Civil Russa (1918-1920).

    Diante disso, chegam ao Brasil em 1921 e vivem nas cidades de Maceió, Recife e Rio de Janeiro onde passaram algumas dificuldades financeiras.

    Desde pequena, Clarice estudou várias línguas (português, francês, hebraico, inglês, iídiche) e teve aulas de piano. Era boa aluna na escola e gostava de escrever poemas.

    Após a morte de sua mãe em 1930, Clarice termina o terceiro ano primário no Collegio Hebreo-Idisch-Brasileiro.

    Mais tarde, a sua família vai viver para o Rio de Janeiro. Em 1939, com 19 anos, ingressa na Escola de Direito da Universidade do Brasil e começa a dedicar-se totalmente à sua grande paixão: a literatura.

    Fez cursos de antropologia e psicologia e, em 1940, publica seu primeiro conto, intitulado “Triunfo”.

    Após a morte de seu pai, em 1940, Clarice começa a sua carreira de jornalista. Nos anos seguintes, trabalha como redatora e repórter na Agência Nacional, no Correio da Manhã e no Diário da Noite.

    Em 1943, casa-se com o Diplomata Maury Gurgel Valente, com quem teve dois filhos. O seu primogénito, Pedro, foi diagnosticado com esquizofrenia e o seu segundo filho, Paulo, foi afilhado do escritor Érico Veríssimo.

    Devido à profissão de seu marido, Clarice viveu em muitos países do mundo, desde Itália, Inglaterra, Suíça e Estados Unidos. O relacionamento durou até 1959, e quando resolveram separar-se, Clarice regressa ao Rio com os seus filhos.

    Clarice apaixonou-se por quem viria a ser p seu grande amigo confidente, o escritor Lúcio Cardoso (1912-1968), contudo, não ficaram juntos porque Lúcio era homossexual. 

    Um episódio marcante de sua vida foi o incêndio que ocorreu na sua casa, em 1966, provocado por um cigarro. Como consequência, ficou hospitalizada durante meses e quase teve de amputar a mão.

    A escritora foi naturalizada brasileira e se declarava pernambucana. Seu nome, Clarice, foi uma das formas que o pai encontrou de esconder toda sua família quando chegaram ao Brasil.

    Clarice falece no dia 09 de dezembro de 1977, na véspera de seu aniversário de 57 anos, na cidade do Rio de Janeiro, vítima de cancro de ovário.

    A Obra

    Conhecida como uma das melhores escritoras brasileiras, Clarice escreveu romances, contos, crónicas e literatura infantil.

    De personalidade singular e forte, pouco se importava com as críticas e, segundo ela:
    “Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro...

    Algumas de suas obras: 

    Perto do coração selvagem (1942) 
    O Lustre (1946) 
    A Cidade Sitiada (1949) 
    Laços de Família (1960) 
    A Maçã no Escuro (1961) 
    A Legião Estrangeira (1964) 
    A Paixão Segundo G. H (1964) 
    O Mistério do Coelho Pensante (1967) 
    A Mulher que Matou os Peixes (1968) 
    Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres (1969) 
    Felicidade Clandestina (1971) 
    Água Viva (1973) 
    A Imitação da Rosa (1973) 
    Via Crucis do Corpo (1974) 
    Onde Estivestes de Noite? (1974) 
    Visão do Esplendor (1975) 
    A Hora da Estrela (1977) 

    Frases de Clarice Lispector 

    “Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome.” 
    “Minhas desequilibradas palavras são o luxo do meu silêncio.” 
    “Ainda bem que sempre existe outro dia. E outros sonhos. E outros risos. E outras pessoas. E outras coisas.” 
    “Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.” 
    “Mas quero ter a liberdade de dizer coisas sem nexo como profunda forma de te atingir. Só o errado me atrai, e amo o pecado, a flor do pecado.” 
    “O medo sempre me guiou para o que eu quero. E porque eu quero, temo. Muitas vezes foi o medo que me tomou pela mão e me levou. O medo me leva ao perigo. E tudo o que eu amo é arriscado.” 
    “Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.” 
    “Sim, minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem das grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite.”

    Elsa Morante - Biografia (1912-1985)

    Elsa Morante (nascida em 18 de agosto de 1912, Roma , Itália - falecida em 25 de novembro de 1985, Roma), romancista italiana, escritora de contos e poeta conhecida pela qualidade épica e mítica das suas obras, que geralmente se centram nas lutas dos jovens para chegar a um acordo com o mundo da idade adulta.

    Morante desde cedo exibiu talento literário e, embora a sua educação formal permanecesse incompleta, o seu casamento com o romancista Alberto Moravia levou-a, por algum tempo, à associação com os principais escritores italianos da época. 

    No entanto, ela permaneceu em grande parte fora do movimento neorrealista dentro do qual muitos desses escritores trabalhavam. 

    O seu primeiro romance, Menzogna e sortilegio, narra a complexa história de uma família do sul da Itália através da memória e imaginação de uma jovem mulher. O próximo romance de Morante, L'isola di Arturo, examina o crescimento de um menino desde os sonhos da infância até às dolorosas desilusões da vida adulta. Este romance, pelo qual ela ganhou o Prémio Strega, é notável pelo seu delicado lirismo e a sua mistura de detalhes realistas com um ar de irrealidade; é frequentemente comparado ao Agostinho de Moravia, outro conto de iniciação adolescente.

    O romance La storia teve uma reação crítica mista, mas alcançou sucesso comercial. Definido principalmente em Roma entre 1941 e 1947, seu foco é a existência árdua de uma professora primária simples, semi-judaica e do seu jovem filho, Useppe, nascido depois que ela é estuprada por um soldado alemão. 

    A história reafirma a ideologia apaixonada do autor, que é tingida de anarquismo, nega qualquer possibilidade de política humana e, com a morte de Useppe, aparentemente exclui qualquer esperança final para a humanidade. 

    O último romance de Morante, Aracoeli, relata uma viagem tomada pelo seu problemático protagonista para a Espanha, onde ele tenta recapturar a sua infância perdida e descobrir o passado da sua mãe. Como a La Storia, Aracoeli não foi universalmente aclamado pela crítica, mas serve como um somatório de muitas correntes na obra de Morante.

    Morante também publicou um volume de contos, Lo scialle andaluso; um volume de ensaios, Il gioco secreto ; e duas coleções de poesia , Alibi e Il mondo salvato dai ragazzini. 

    O seus trabalhos coletados foram publicados em 1988-90, e uma versão do seu diário apareceu em 1989 como Diario 1938 ("Diário de 1938"). Racconti dimenticati (2002; “Forgotten Stories”) é uma coleção de sua ficção inicial.

    Alberto Moravia - Carta de Elsa Morante (1950)

    Elsa Morante (nascida em 18 de agosto de 1912, Roma , Itália - falecida em 25 de novembro de 1985, Roma), romancista italiana, escritora de contos e poeta conhecida pela qualidade épica e mítica das suas obras, que geralmente se centram nas lutas dos jovens para chegar a um acordo com o mundo da idade adulta.

    Morante desde cedo exibiu talento literário e, embora a sua educação formal permanecesse incompleta, o seu casamento com o romancista Alberto Moravia levou-a, por algum tempo, à associação com os principais escritores italianos da época. 

    No entanto, ela permaneceu em grande parte fora do movimento neorrealista dentro do qual muitos desses escritores trabalhavam. 

    O seu primeiro romance, Menzogna e sortilegio, narra a complexa história de uma família do sul da Itália através da memória e imaginação de uma jovem mulher. O próximo romance de Morante, L'isola di Arturo, examina o crescimento de um menino desde os sonhos da infância até às dolorosas desilusões da vida adulta. Este romance, pelo qual ela ganhou o Prémio Strega, é notável pelo seu delicado lirismo e a sua mistura de detalhes realistas com um ar de irrealidade; é frequentemente comparado ao Agostinho de Moravia, outro conto de iniciação adolescente.

    O romance La storia teve uma reação crítica mista, mas alcançou sucesso comercial. Definido principalmente em Roma entre 1941 e 1947, seu foco é a existência árdua de uma professora primária simples, semi-judaica e do seu jovem filho, Useppe, nascido depois que ela é estuprada por um soldado alemão. 

    A história reafirma a ideologia apaixonada do autor, que é tingida de anarquismo, nega qualquer possibilidade de política humana e, com a morte de Useppe, aparentemente exclui qualquer esperança final para a humanidade. 

    O último romance de Morante, Aracoeli, relata uma viagem tomada pelo seu problemático protagonista para a Espanha, onde ele tenta recapturar a sua infância perdida e descobrir o passado da sua mãe. Como a La Storia, Aracoeli não foi universalmente aclamado pela crítica, mas serve como um somatório de muitas correntes na obra de Morante.

    Morante também publicou um volume de contos, Lo scialle andaluso; um volume de ensaios, Il gioco secreto ; e duas coleções de poesia , Alibi e Il mondo salvato dai ragazzini. 

    O seus trabalhos coletados foram publicados em 1988-90, e uma versão do seu diário apareceu em 1989 como Diario 1938 ("Diário de 1938"). Racconti dimenticati (2002; “Forgotten Stories”) é uma coleção de sua ficção inicial.

    Carta de Elsa Morante (1950) a Alberto Moravia

    Querido Alberto, não consigo dormir; e escrevo-te para te dizer aquilo que há muitos meses atrás te deveria ter dito, isto é, peço-te que me perdoes pelo meu comportamento dos últimos tempos, e, sobretudo, que não penses nunca que isso signifique o fim do meu grande carinho por ti. 

    Se tu soubesses a desordem da minha mente, que mal-grado tudo consigo esconder, e a incerteza que tenho a cada momento, a impressão de esterilidade, a que se junta a paixão deveras estranha e quase inaudita que em diferentes formas me calhou, terias ainda mais pena de mim do que já tens.

    Não penses que não te sou grata pela maneira como me tratas e da qual me recordarei sempre. Estou muito mal, não sei se conseguirei tornar a encontrar um equilíbrio em alguma coisa. 

    Queria poder trabalhar verdadeiramente, ou amar verdadeiramente, e seria feliz em dar a alguém ou a alguma coisa tudo aquilo que posso, contanto que a minha vida se cumprisse finalmente e encontrasse descanso no coração.

    Gosto muito de ti; um dia compreenderei que és a pessoa de quem mais gosto neste mundo. Mas por ora perdoa a minha doença.

    Boa noite – um beijo

    [escrito transversalmente na margem] Trabalhei tanto, tanto durante 4 anos que me parece impossível; e serviu para quê?













    Caro Alberto, non riesco a dormire, e scrivo a te per dirti quello che già da molti mesi avrei dovuto dirti, e cioè che ti prego di perdonarmi il mio comportamento di questi ultimi tempi, e, soprattutto, di non credere mai che esso significhi la fine del mio grande affetto per te. 

    Se tu sapessi il disordine della mia mente, che malgrado tutto riesco a nascondere, e l'incertezza che ho in ogni momento, l'impressione di sterilità, e aggiunta a questa la passione veramente strana e quasi inaudita per molti versi che mi è capitata, avresti pena di me più ancora di quella che hai.

    Non credere che io non ti sia grata per il modo che usi verso di me e di cui mi ricorderò sempre. Sto molto male, non so se riuscirò a ritrovare un equilibrio in qualche cosa. 

    Vorrei poter lavorare davvero, o amare davvero, e sarei felice di dare a qualcuno o a qualche cosa tutto quello che posso, purché la mia vita fosse compiuta finalmente e trovassi il riposo del cuore.

    A te voglio tanto bene, un giorno capirò che sei sempre la persona a cui voglio più bene al mondo. Ma adesso perdonami la mia malattia.

    Buona notte – ti bacio

    [scritto trasversalmente su margine] Per 4 anni ho lavorato tanto, tanto che mi pare impossibile, e a che è servito?

    D. H. Lawrence - Biografia (1885-1930)

    DH Lawrence, na íntegra David Herbert Lawrence, (nascido em 11 de setembro de 1885, Eastwood, Nottinghamshire, Inglaterra - morreu em 2 de março de 1930, Vence, França), autor inglês de romances, contos, poemas, peças de teatro, ensaios, livros de viagem, e letras. Os seus romances Filhos e Amantes (1913), O Arco-Íris (1915) e Mulheres Apaixonadas (1920) fizeram dele um dos mais influentes escritores ingleses do século XX.

    Juventude e início de carreira

    Lawrence era o quarto filho de um mineiro de carvão de North Midlands que trabalhara desde os 10 anos de idade, era um orador de dialeto, um bebedor e virtualmente analfabeto. A mãe de Lawrence, que veio do sul da Inglaterra, era educada, refinada e piedosa. Lawrence ganhou uma bolsa de estudos para a Nottingham High School (1898 a 1901) e saiu aos 16 anos para ganhar a vida como balconista numa fábrica, mas teve que desistir do trabalho após um primeiro ataque de pneumonia. 

    Enquanto convalescia, ele começou a visitar a Fazenda Haggs nas proximidades e começou uma amizade intensa (1902-10) com Jessie Chambers. Ele tornou-se professor-aluno em Eastwood em 1902 e atuou brilhantemente no exame nacional. 

    Encorajado por Jessie, ele começou a escrever em 1905; a sua primeira história foi publicada num jornal local em 1907. Ele estudou na University College, Nottingham, de 1906 a 1908, obtendo o certificado de professor, e continuou a escrever poemas e histórias e esboçando o seu primeiro romance, The White Peacock.

    O cenário de Eastwood, especialmente o contraste entre a cidade mineira e o campo intocado, a vida e a cultura dos mineiros, o conflito entre os seus pais e o efeito no seu relacionamento tortuoso com Jessie, tornaram-se temas dos primeiros contos e romances de Lawrence. Continuou voltando a Eastwood em imaginação muito depois de tê-lo deixado de fato.

    Em 1908, Lawrence foi ensinar em Croydon, um subúrbio londrino. Jessie Chambers enviou alguns de seus poemas para Ford Madox Hueffer (Ford Madox Ford), editor do influente English Review. Hueffer reconheceu o seu génio, o Review começou a publicar o seu trabalho, e Lawrence foi capaz de conhecer jovens escritores em ascensão como Ezra Pound. 

    Hueffer recomendou The White Peacock para o editor William Heinemann, que o publicou em 1911, logo após a morte da mãe de Lawrence, a sua ruptura com Jessie e o seu noivado com Louie Burrows. Seu segundo romance, The Trespasser (1912), ganhou o interesse do influente editor Edward Garnett, que assegurou o terceiro romance, Sons and Lovers, para a sua própria firma, Duckworth. 

    No ano crucial de 1911-12 Lawrence teve outro ataque de pneumonia. Ele rompeu o seu noivado com Louie e decidiu desistir de lecionar e viver da escrita, de preferência no exterior. Mais importante, ele apaixonou-se e fugiu com Frieda Weekley (née von Richthofen), a aristocrática esposa alemã de um professor de Nottingham. O casal foi primeiro para a Alemanha e depois para a Itália, onde Lawrence completou Sons and Lovers. Eles casaram-se na Inglaterra em 1914, após o divórcio de Frieda.

    Os dois primeiros romances de Lawrence, a primeira peça e a maioria de seus primeiros contos, incluindo obras-primas como Odor de Crisântemos e Filhas do Vigário (reunidos em The Prussian Officer e Outras Histórias, 1914), usam a experiência inicial como ponto de partida, sendo que "Filhos e Amantes" leva esse processo ao ponto da quase autobiografia. 

    O arco-íris e mulheres apaixonadas

    Durante a Primeira Guerra Mundial, Lawrence e a sua esposa ficaram presos na Inglaterra e vivem na pobreza. Neste momento ele estava envolvido em dois projetos relacionados. A primeira foi uma veia de escrita filosófica que ele havia iniciado no "Prefácio" para Filhos e Amantes e continuou em "Estudo de Thomas Hardy" (1914) e obras posteriores. 

    O outro projeto, mais importante, era um romance ambicioso de vida provinciana que Lawrence reescreveu e revisou até se dividir em dois grandes romances: O Arco-Íris, que foi imediatamente reprimido na Inglaterra como obsceno; e Women in Love, que não foi publicado até 1920. Enquanto isso, os Lawrence, morando numa casa na remota Cornwall, tiveram que suportar suspeitas e hostilidades crescentes dos seus vizinhos rurais por conta do pacifismo de Lawrence e das origens alemãs de Frieda.

    Eles foram expulsos do condado em 1917 por suspeita de sinalização de submarinos alemães e passaram o resto da guerra em Londres e Derbyshire. Embora ameaçado de alistamento militar, Lawrence escreveu alguns de seus melhores trabalhos durante a guerra.

    Foi também um período de crise pessoal. Lawrence e Frieda lutavam com frequência; Frieda sempre se sentira à vontade para ter amantes. Depois de uma visita em 1915 a Cambridge, onde conheceu Bertrand Russell, Maynard Keynes e outros membros da sociedade secreta de Cambridge, conhecidos como Apóstolos, Lawrence começou a questionar a sua própria orientação sexual. Esse conflito interno, que foi resolvido alguns anos depois, é evidente no primeiro capítulo abandonado de Mulheres Apaixonadas.

    Em The Rainbow, o primeiro dos romances desse período, Lawrence amplia o alcance de Sons and Lovers seguindo a família Brangwen (que vive perto de Eastwood) ao longo de três gerações, de modo que a mudança social e espiritual é tecida na crónica. Os Brangwens começam como fazendeiros tão ligados à terra e às estações do ano, a ponto de representar uma inconsciência pré-moderna, e gerações sucessivas no romance evoluem em direção à consciência moderna, à autoconsciência e até mesmo à alienação.

    A primeira parte do livro, que é poética e mítica, regista o amor e o casamento de Tom Brangwen com a exilada japonês Lydia, na década de 1860. Anna, a criança de Lydia, casa-se com um primo de Brangwen, Will, na década de 1880. Esses dois, inicialmente, têm uma relação tempestuosa, mas desaparecem na domesticidade convencional ancorada por trabalho, casa e filhos.

    A consciência em expansão é transmitida para a próxima geração, a de Lawrence, na pessoa de sua filha Ursula. O último terço do romance descreve a relação de infância de Ursula com o seu pai e seu envolvimento romântico apaixonado, mas sem sucesso, com o soldado Anton Skrebensky. A atração de Ursula por Skrebensky é negada pela sua convencionalidade social, e a sua rejeição a ele é simbolizada por uma relação sexual na qual ela se torna dominante.

    Ursula abortou o filho e, no fim do romance, ela ficou sozinha numa convalescença como a de Paul Morel, enfrentando um futuro difícil antes da Primeira Guerra Mundial. Havia um elemento de histeria de guerra na supressão legal do livro em 1915, mas o terreno específico foi um episódio homoerótico entre Ursula e uma professora. Lawrence foi marcado como um escritor subversivo.

    Women in Love retoma a história, mas através da lacuna de mudança de consciência criada pela Primeira Guerra Mundial. As mulheres do título são Ursula, pegando sua vida, ainda em casa, e duvidosas do seu papel como professora e sua social e intelectual. status; e sua irmã Gudrun, que também é professora, mas também artista e espírito livre.

    São mulheres modernas, educadas, livres de pressupostos estereotipados sobre seu papel e sexualmente autónomas. Embora não tenham certeza do que fazer com as suas vidas, não estão dispostos a aceitar um casamento comum como solução para o problema. As aspirações das irmãs cristalizam-se nas suas relações românticas: Ursula com Rupert Birkin, graduado em universidade e inspector escolar (e também uma figura de Lawrence), Gudrun com Gerald Crich, o bonito, impiedoso e aparentemente dominante industrial que gere as minas da sua família.

    Birkin e Gerald são profundamente ligados, se inarticulados uns aos outros. O romance segue o crescimento das duas relações: uma (Ursula e Birkin)  é produtivo e esperançoso, se difícil de manter como um equilíbrio de parceiros livres. O outro (Gudrun e Gerald) leva ao domínio e dependência, violência e morte.

    O relato é caracterizado pela extrema consciência dos protagonistas: as lutas desarticuladas das gerações anteriores são agora bem-sucedidas no nível verbal por um debate sério ou amargo. A força intelectual de Birkin é satisfeita pela mistura de calor e ceticismo de Ursula por sua estabilidade emocional.

    O relacionamento de Gerald-Gudrun mostra que seu domínio masculino é uma concha que cobre um vazio interno incapacitante e a falta de autoconsciência, que acaba por inspirar repulsa em Gudrun. O conflito final entre eles se desenrola na alta nudez de uma estação de esqui alpina; depois de um ataque brutal a Gudrun, Gerald vagueia na neve e morre. Birkin, enlutado, parte com Ursula para uma nova vida no caloroso sul simbólico, na Itália.

    A busca de um amor sexual satisfatório e de uma forma de casamento que satisfaça uma consciência moderna é o objetivo dos primeiros romances de Lawrence e, no entanto, torna-se cada vez mais problemático. Nenhum de seus romances termina feliz: na melhor das hipóteses, eles concluem com uma pergunta aberta.

    Mais tarde vida e obras

    Após a Primeira Guerra Mundial, Lawrence e sua esposa foram para a Itália (1919), e ele nunca mais viveu na Inglaterra. Ele logo embarcou com vários romances consistindo de The Lost Girl (1920), Aaron’s Rod (1922), e o incompleto Mr. Noon (publicado na íntegra apenas em 1984).

    Todos os três romances são em duas partes: um conjunto em Eastwood e sarcástico sobre costumes locais, especialmente o ritual tribal de encontrar um companheiro, o outro conjunto na Europa, onde a figura central rompe o cenário tribal e encontra o que pode ser uma verdadeira parceria. Todos os três romances também terminam com um futuro aberto; No Sr. Noon, no entanto, Lawrence dá a experiência do seu próprio protagonista Lawrence de 1912 com Frieda na Alemanha, continuando assim de maneira alegre o tratamento quase autobiográfico que ele havia começado em Sons and Lovers.

    Em 1921, os Lawrences decidiram deixar a Europa e ir para os Estados Unidos, mas para o leste, via Ceilão (agora Sri Lanka) e Austrália.

    Desde 1917, Lawrence vinha trabalhando em Studies in Classic American Literature (1923), que surgiu do seu senso de que o oeste americano era um lar natural não corrompido. Seus outros trabalhos de não-ficção neste momento incluem Movimentos na História Europeia (1921) e dois tratados sobre as suas teorias psicológicas, Psicanálise e o Inconsciente (1921) e Fantasia do Inconsciente (1922).

    Lawrence escreveu Kangaroo em seis semanas enquanto visitava a Austrália em 1922. Este romance é um resumo sério de sua posição na época. O personagem principal e a sua esposa mudam-se para a Austrália após a Primeira Guerra Mundial e enfrentam no novo país uma série de ações políticas: seus talentos literários são cortejados tanto por socialistas quanto por um partido nacionalista quase fascista.

    Ele não pode abraçar nenhum movimento político, no entanto, e um capítulo autobiográfico sobre as suas experiências na Inglaterra durante a Primeira Guerra Mundial revela que a perseguição que ele sofreu pelos seus sentimentos antiguerra matou o seu desejo de participar ativamente da sociedade. No final, ele deixa a Austrália para a América.

    Finalmente chegando a Taos, Novo México, onde se estabeleceu por um tempo, Lawrence visitou o México em 1923 e 1924 e embarcou no ambicioso romance The Plumed Serpent (1926). Neste romance, Lawrence sustenta que a regeneração da desintegração da sociedade do pós-guerra na Europa deve vir de uma raiz religiosa, e se o cristianismo está morto, cada região deve retornar à sua própria tradição religiosa indígena.

    O herói profético da Serpente Emplumada, um general mexicano, revive os ritos astecas como a base de um novo estado teocrático no México, cujos líderes autoritários são adorados como deuses. O representante de Lawrence na história, uma mulher europeia, acaba se casando com um dos deuses-líderes, mas permanece meio repelido por sua violência e irracionalidade.

    Depois de perseguir este tema até a sua conclusão lógica em A Serpente Emplumada, Lawrence abandonou-o e ele foi reduzido ao seu antigo ideal de uma comunidade onde ele poderia começar uma nova vida com algumas pessoas de mentalidade semelhante. Taos era o lugar mais adequado que encontrara, mas agora estava começando a morrer; um surto de doença em 1925 produziu hemorragia brônquica e foi diagnosticada tuberculose.

    Lawrence retornou à Itália em 1925, e em 1926 embarcou nas primeiras versões de Amante de Lady Chatterley e escreveu Sketches of Etruscan Places, um livro de viagens que projeta a vida pessoal e social ideal de Lawrence sobre os etruscos. Publicado privadamente em 1928, o amante de Lady Chatterley levou uma vida subterrânea até que decisões legais em Nova York (1959) e Londres (1960) o tornaram disponível gratuitamente - e um modelo para inúmeras descrições literárias de atos sexuais.

    O veredicto de Londres que permitia a publicação limitava um julgamento no qual o livro era defendido por muitos eminentes escritores ingleses. No romance Lawrence retorna pela última vez a Eastwood e retrata o amor sexual terno, através das barreiras de classe e casamento, de dois modernos danificados.

    Lawrence sempre vira a necessidade de relacionar sexualidade a sentimento, e sua ficção sempre ampliara as fronteiras do admissível - e havia sido censurada em detalhes. Em Amante de Lady Chatterley, ele agora descreveu plenamente os atos sexuais como expressando aspectos ou humores do amor, e também usou as palavras coloquiais de quatro letras que ocorrem naturalmente na liberdade de expressão.

    O moribundo Lawrence mudou-se para o sul da França, onde em 1929 escreveu Apocalypse (publicado em 1931), um comentário sobre o livro bíblico do Apocalipse - essa é sua declaração religiosa final. Ele foi enterrado em Vence e as suas cinzas foram removidas para Taos em 1935.

    Poesia e não ficção

    O fascínio da personalidade de Lawrence é atestado por todos que o conheciam, e sobrevive abundantemente em sua ficção, sua poesia, seus numerosos escritos em prosa e suas cartas. A poesia de Lawrence merece uma menção especial. Em seus primeiros poemas, o seu toque é frequentemente inseguro, ele é muito “literário” e muitas vezes é limitado pela rima.

    Mas por um notável triunfo de desenvolvimento, ele desenvolveu um modo altamente espontâneo de verso livre que lhe permitiu expressar uma mistura incomparável de observação e simbolismo. Sua poesia pode ser de grande interesse biográfico, como em Look! Nós já passamos! (1917), e alguns versos em Pansies (1929) e Nettles (1930) são brilhantemente sarcásticos.

    Mas sua contribuição mais original é Birds, Beasts and Flowers (1923), na qual ele cria uma poesia sem precedentes da natureza, baseada em suas experiências da cena mediterrânea e do sudoeste americano. Em seus últimos poemas (1932), ele contempla a morte.

    Nenhuma conta do trabalho de Lawrence pode omitir suas cartas insuperáveis. Em sua variedade de tom, vivacidade e amplitude de interesse, eles transmitem uma imagem completa e esplêndida de si mesmo, sua relação com seus correspondentes e as exultações, depressões e manhas proféticas de sua vida errante.

    Os contos de Lawrence foram coletados em The Prussian Officer, England My England, e Other Stories (1922), The Woman Who Rode Away e Other Stories (1928), e Love Among the Haystacks e Other Pieces (1930), entre outros volumes. Suas primeiras peças, The Widowing of Mrs. Holroyd (1914) e The Daughter-in-Law (realizada em 1936), provaram ser eficazes no palco e na televisão. De seus livros de viagem, Mar e Sardenha (1921) é o mais espontâneo; os outros envolvem viagens paralelas ao interior de Lawrence.

    Legado

    D.H. Lawrence foi reconhecido pela primeira vez como um romancista da classe trabalhadora mostrando a realidade da vida familiar provinciana inglesa e - nos primeiros dias da psicanálise - como o autor-sujeito de um caso clássico de história do complexo de Édipo. Em trabalhos subsequentes, o manejo franco da sexualidade de Lawrence o colocou como um pioneiro de uma "libertação" que ele próprio não aprovaria.

    Desde o início, os leitores foram conquistados pela vivacidade poética de seus escritos e seus esforços para descrever estados subjetivos de emoção, sensação e intuição. Essa espontaneidade e proximidade do sentimento coexistem com uma repetição contínua e levemente modificada de temas, personagens e símbolos que expressam a visão e o pensamento artístico em evolução de Lawrence.

    Seus grandes romances permanecem difíceis porque seu realismo é sustentado por metáforas pessoais obsessivas, por elementos da mitologia e, acima de tudo, por sua tentativa de expressar em palavras o que normalmente é sem palavras, porque existe abaixo da consciência.

    Lawrence tentou ir além do "ego antigo e estável" dos personagens familiares aos leitores de ficção mais convencional. Seus personagens estão continuamente experimentando transformações conduzidas por processos inconscientes, e não por intenção consciente, pensamento ou ideias.

    Desde a década de 1960, a reputação crítica de Lawrence diminuiu, em grande parte como resultado da crítica feminista de suas representações de mulheres. Embora não tenha a inventividade de seus contemporâneos modernistas mais radicais, sua obra - com suas representações das preocupações que levaram uma geração de escritores e leitores a romper com as normas sociais, sexuais e culturais vitorianas - fornece uma visão crucial sobre o desenvolvimento social e cultural. história do modernismo anglo-americano.

    Em última análise, Lawrence era um escritor religioso que não rejeitava tanto o cristianismo como tentava criar uma nova base religiosa e moral para a vida moderna, através de ressurreições e transformações contínuas do eu.

    Essas mudanças nunca estão limitadas ao eu social, nem estão completamente sob o olho da consciência. Lawrence pediu uma nova abertura para o que ele chamou de "deuses das trevas" da natureza, sentimento, instinto e sexualidade; um contato renovado com essas forças era, para ele, o começo da sabedoria.

    Edgar Allan Poe - Biografia (1809-1849)

    Edgar Allan Poe (nascido Edgar Poe, viveu entre 19-01-1809 a 07-10-1849) foi um autor, poeta, editor e crítico literário americano, fez parte do movimento romântico americano. 

    Conhecido por suas histórias que envolvem o mistério e o macabro, Poe foi um dos primeiros escritores americanos de contos sendo considerado o inventor do género de ficção policial, também recebendo crédito por contribuição ao emergente género de ficção científica. 

    Ele foi o primeiro escritor americano conhecido a tentar ganhar a vida através da escrita por si só, resultando em uma vida e carreira financeiramente difícil.

    Ele nasceu como Edgar Poe, em Boston, Massachusetts; quando jovem, ficou órfão de mãe, que morreu pouco depois de seu pai abandonar a família. Poe foi acolhido por Francis Allan e o seu marido John Allan, de Richmond, Virginia, mas nunca foi formalmente adotado. 

    Ele frequentou a Universidade da Virgínia por um semestre, passando a maior parte do tempo entre bebidas e mulheres. Nesse período, teve uma séria discussão com seu pai adotivo e fugiu de casa para se alistar nas forças armadas, onde serviu durante dois anos antes de ser dispensado, depois de falhar como cadete em West Point, deixou a sua família adotiva. 

    Sua carreira começou humildemente com a publicação de uma colecção anónima de poemas, Tamerlane and Other Poems (1827).

    Poe mudou o seu foco para a prosa e passou os próximos anos trabalhando para revistas e jornais, tornando-se conhecido por seu próprio estilo de crítica literária. Seu trabalho o obrigou a mudar-se para diversas cidades, incluindo Baltimore, Filadélfia e Nova York. 

    Em Baltimore, em 1835, casou-se com Virginia Clemm, a sua prima de 13 anos de idade. Em Janeiro de 1845, Poe publicou seu poema The Raven, que foi um sucesso instantâneo. 

    A sua esposa morreu de tuberculose dois anos após a publicação. Ele começou a planear a criação do seu próprio jornal, The Penn (posteriormente renomeado para The Stylus), porém morreu antes que pudesse ser produzido. 

    Em 7 de Outubro de 1849, aos 40 anos, Poe morreu em Baltimore; a causa de sua morte é desconhecida e foi por diversas vezes atribuída ao álcool, congestão cerebral, cólera, drogas, doenças do coração, raiva, suicídio, tuberculose entre outros agentes.

    Poe e as suas obras influenciaram a literatura nos Estados Unidos e ao redor do mundo, bem como em campos especializados, tais como a cosmologia e a criptografia. 

    Poe e seu trabalho aparecem ao longo da cultura popular na literatura, música, filmes e televisão. 

    Luís Fernando Veríssimo - Biografia

    Luís Fernando Veríssimo é um autor brasileiro conhecido pela qualidade de suas crónicas humorísticas e contos. Com mais de 60 títulos publicados; também é músico, tradutor, jornalista e roteirista.

    Nasceu em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, dia 26 de setembro de 1936. Filho do consagrado escritor Érico Veríssimo e de Mafalda Halfen Volpe. A família mudou-se para os Estados Unidos em 1941, onde iniciou os seus estudos em São Francisco e Los Angeles.

    Durante a adolescência estudou no Roosevelt High School, em Washington. Nessa época interessou-se por jazz e teve aulas de saxofone. Em 1956 retornou ao Brasil e trabalhou no departamento de arte da Editora Globo em Porto Alegre. Em 1960 integrou o conjunto musical “Renato e seu sexteto”. Mudou-se para o Rio de Janeiro, onde trabalhou como tradutor e redator publicitário.

    Em 1963 casou-se com Lúcia Helena Massa, com quem teve três filhos.

    Retorna para Porto Alegre em 1967 como revisor no jornal “Zero Hora”, onde conquistou sua própria coluna diária em 1969. No mesmo ano produz textos para a agência MPM Propaganda.

    No período entre 1970 e 1975 trabalhou no jornal “Folha da Manhã” escrevendo sobre música, cinema, política e desporto. Os textos consolidam o seu género bem humorado na abordagem dos diversos assuntos.

    Em 1973 publicou “O Popular”, colectânea que reunia seus principais trabalhos já realizados. Em 1975 publicou "A Grande Mulher Nua” e retornou ao jornal “Zero Hora”, contribuindo também para o “Jornal do Brasil”. Em 1979 publicou "Ed Mort e Outras Histórias", livro de crónicas que agradou leitores e crítica, popularizando o personagem-título.

    Foi para Nova York em 1980 e lá residiu por dois anos, escrevendo "Traçando Nova Iorque". Na Feira do Livro de Porto Alegre de 1981 lançou o livro de crónicas "O Analista de Bagé", sucesso instantâneo que se esgotou em dois dias.

    Entre 1982 e 1989 foi redator semanal da revista Veja, produzindo artigos bem humorados que marcaram a carreira do escritor. 

    Em 1994 publica "Comédias da Vida Privada", adaptada para minissérie na televisão. Fez grande sucesso e teve destaque pelo teor de seu conteúdo irreverente e inteligente.

    Em 1995 integrou o grupo “Jazz 6”, lançando os álbuns "Agora é Hora" (1997), "Speak Low" (2000), "A Bossa do Jazz" (2003) e "Four" (2006). Em 1997 foi o primeiro humorista a conquistar o prémio Juca Pato, escolhido por unanimidade como o Intelectual do ano pela União Brasileira de Escritores (UBE).

    Em 2003, a New York Public Library elegeu o seu livro "Clube dos Anjos” como um dos 25 melhores livros do ano.

    Em 2004 recebeu o Prix Deus Oceans do Festival de Culturas Latinas de Biarritz, na França.

    Em novembro de 2012 foi internado no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, após agravamento de uma gripe do tipo influenza A. 

    Passou 24 dias internado, a metade deles na UTI. Recebeu alta em 14 de dezembro e no dia 3 de janeiro, escrevia sua primeira coluna para o jornal Estado de São Paulo.

    Além dessa coluna, atualmente também escreve para os jornais “Zero Hora” e “O Globo”.

    Algumas obras:

    O Popular, 1973
    A Grande Mulher Nua, 1975
    Amor Brasileiro, 1977
    O Rei do Rock, 1978
    Ed Mort e Outras Histórias, 1979
    Sexo na Cabeça, 1980
    O Analista do Bagé, 1981
    A Mesa Voadora, 1982
    Outras do Analista de Bagé, 1982
    O Gigolô da Palavras, 1982
    A Velhinha de Taubaté, 1983
    A Mulher do Silva, 1984
    A Mãe de Freud, 1985
    O Marido do Doutor Pompeu, 1987
    Zoeira, 1987
    O Jardim do Diabo, 1987
    Noites do Bogart, 1988
    Orgias, 1989
    Pai Não Entende Nada, 1990
    Peças Íntimas, 1990
    O Santinho, 1991
    Humor Nos Tempos de Collor, 1992
    O Suicida e o Computador, 1992
    Comédias da Vida Privada, 1994
    Comédias da Vida Pública, 1995
    Novas Comédias da Vida Privada, 1997
    A Versão dos Afogados, 1997
    Gula - O Clube dos Anjos, 1998
    Aquele Estranho Dia Que Nunca Chega, 1999
    Histórias Brasileiras de Verão, 1999
    As Noivas do Grajaú, 1999
    Todas as Comédias, 1999
    Festa de Criança, 2000
    Comédias Para Se Ler Na Escola, 2000
    As Mentiras que os Homens Contam, 2000
    Todas as Histórias do Analista de Bagé, 2002
    Banquete Com os Deuses, 2002
    O Opositor, 2004
    A marcha, 2004
    A Décima Segunda Noite, 2006
    Mais Comédias Para Se Ler Na Escola, 2008
    Os Espiões, 2009
    Time dos sonhos, 2010
    Amor Veríssimo, 2013
    As mentiras que as mulheres contam, 2015

    Fernando Sabino - Biografia (1923-2004)


    Fernando Sabino nasce no dia 12 de outubro de 1923, na cidade de Belo Horizonte, Minas Gerais. Sua mãe, Odete Tavares, o ensina a ler e escrever e em 1930 ele ingressa na escola. Assim como muitos poetas brasileiros, ele também foi um escritor precoce publicando, adolescente, o seu primeiro conto policial na revista Argus.

    Estimulado pela família e com muito empenho pessoal, Fernando Sabino ganha inúmeros concursos de crónicas e contos, com destaque para o concurso da revista Boa Nova que tinha na sua banca julgadora o também escritor mineiro Carlos Drummond de Andrade.

    Muito dedicado, não demorou para que o escritor contribuísse com textos para grandes revistas e jornais. Aos 15 anos era colaborador da revista Mensagem e editor do jornal Folha de Minas e também escrevia para a revista Clima (SP), dirigida pelo grande crítico literário António Cândido.

    Em 1941, Fernando Sabino inicia o curso superior na Faculdade de Direito de Minas Gerais. No mesmo ano ele faz uma colectânea dos seus contos e publica sob o título Os Grilos não Cantam Mais e segue sendo colaborador e editor (Dom Casmurro, Vamos Ler, Anuário Brasileiro de Literatura).

    No ano de 1942, trabalha na Secretaria de Finanças de Minas Gerais e dá aulas de Língua Portuguesa no Instituto Padre Machado. Estagia, por três meses, no Quartel de Cavalaria de Juiz de Fora, sua experiência pessoal rende alguns episódios cómicos para o livro O Grande Mentecapto.

    Entre o final da década de 1940 e durante as décadas seguintes, Fernando Sabino vê sua carreira consolidar-se a partir da sua vasta produção, que consegue conjugar a realidade obscura da vida e o humor escondido por trás dela. 

    A comicidade peculiar do escritor permite que ele aborde a metafísica misteriosa e caótica que compõe o mundo com mais leveza e, portanto, o conjunto da sua obra nos presenteia com uma desconstrução progressiva da realidade por meio do riso.

    O auge da estreia literária de Fernando Sabino é quando ele recebe uma carta do escritor modernista Mário de Andrade. 

    Após a primeira troca de correspondências, começa a configurar-se uma amizade fiel e duradoura, interrompida pelo falecimento de Mário. Por meio das cartas, Fernando pedia conselhos literários ao amigo modernista e eles discorriam sobre estilo, o processo de escrita, engajamento da arte ou arte pela arte, de entre outros, até chegarem ao ponto de discutir questões pessoais.

    Obras (algumas):

    O Encontro Marcado, 1956.
    O Homem Nu, 1960.
    A mulher do vizinho, 1962 – Prêmio Chinaglia do Pen Club do Brasil.
    O Grande Mentecapto, 1979 – Prêmio Jabuti.
    O Grande Mentecapto (filme), 1989 – ganha o Festival Internacional de Gramado.

    Alfred de Musset - Biografia (1810-1857)


    Alfred de Musset nasceu em Paris, filho de Victor-Donatien de Musset-Pathay e de sua mulher Edmée Guyot-Desherbiers, uma família culta e equilibrada, desde há longa data ligada às letras. O seu avô fora poeta e o seu pai, também escritor de mérito, mantinha uma relação estreita com Jean-Jacques Rousseau, cujas obras editava. Por esta via, Rousseau exerceu uma grande influência sobre o jovem poeta, em cuja obra recebe diversas homenagens, enquanto atacava violentamente Voltaire, o grande adversário de Rousseau.

    Foi poeta, dramaturgo e ficcionista. A sua poesia combinava a clareza clássica com a subjectividade apaixonada dos românticos. 

    Depois de tentar iniciar uma carreira em Medicina, que abandonou devido à sua repugnância pelas dissecções, tentou Direito, desenho, ensino da língua inglesa, piano e saxofone. Foi então que, com a ajuda de Paul Foucher, um cunhado de Victor Hugo, começou a frequentar, com apenas 17 anos de idade, o Cénacle, o salão literário de Charles Nodier na Bibliothèque de l'Arsenal, descobrindo a sua vocação para a literatura e decidindo seguir carreira literária.

    No Cénacle simpatiza com Charles Augustin Sainte-Beuve e Alfred de Vigny, mas recusa-se a adular o «mestre» Victor Hugo. Mais tarde ridicularizou os passeios nocturnos dos membros do Cénacle pelas torres da catedral de Notre-Dame e outras actividades do grupo.

    Publicou em 1829 o seu primeiro livro, intitulado Contos de Espanha e da Itália, que despertou ao mesmo tempo admiração e protesto, por conter paródias em verso a algumas das mais reverenciadas obras românticas da época.

    Sendo o mais novo integrante da nova escola literária francesa, ombreando com grandes nomes, como Alfred de Vigny, Prosper Mérimée, Charles Augustin Sainte-Beuve, entre outros, quando tinha 20 anos a sua fama literária era já grande, colocando-o entre os melhores cultores do Romantismo, mas também já o ligando a hábitos de dandy e a uma vida amorosa desregrada e boémia.

    Musset tentou então a sua sorte no teatro, tentando produzir obras dramáticas que lhe permitissem ganhar a vida. Em Dezembro de 1832 aparece o seu primeiro Spectacle dans un fauteuil, que se compunha de um drama, La Coupe et les Lèvres, uma comédia, À quoi rêvent les jeunes filles?, e um conto oriental, Namouna. Musset exprime já nesta recolha a dolorosa tensão entre deboche e pureza de costumes que dominará muita da sua obra.

    Contudo, após o fracasso da sua obra Nuit Vénitienne, escreveria, numa carta a P. Calais «adieu à la ménagerie, et pour longtemps» (adeus à ribalta, e por muito tempo), num afastamento que duraria até 1847, ano em que, já alcoólico, retorna às lides teatrais com outra serenidade.

    Em 1832 parte para Itália na companhia de George Sand, com quem mantinha um escandaloso relacionamento amoroso. Esta viagem inspirou-lhe a obra Lorenzaccio, um drama romântico escrito em 1834. Publica então os Contes d'Espagne et d'Italie.

    Durante esta viagem Musset adoece e George Sand torna-se na amante do seu médico, Pietro Pagello. Regressa então a Paris, onde faz representar as comédias Le Chandelier, On ne badine pas avec l'Amour e Il ne faut jurer de rien, que se mantêm no repertório do Théâtre-Français. Escreve também novelas em prosa e a Confession d'un enfant du siècle, autobiografia anónima dedicada a George Sand, onde ele descreve os sofrimentos que ela lhe teria infligido com a sua infidelidade.

    Entre 1835 e 1837, Musset compõe a sua principal obra lírica, intitulada Les Nuits (Nuits de mai, d'août, d'octobre, de décembre), em torno de temáticas relacionadas com o sofrimento amoroso, o amor e a inspiração. Estas poesias, muitos sentimentais, são hoje consideradas como as obras mais representativas do romantismo francês.

    Foi entretanto nomeado bibliotecário do Ministério do Interior durante a Monarquia de Julho, envolvendo-se durante esse período numa polémica relacionada com as pretensões francesa nas margens do Reno, agudizadas durante a Crise Franco-Alemão de 1840. A polémica iniciou-se quando o primeiro-ministro francês Adolphe Thiers, que enquanto Ministro do Interior tinha chefiado Musset, exigiu que o território francês se prolongasse até à margem esquerda do Reno, então assumida como a "fronteira natural" da França a leste. Essa pretensão, apesar da população da região ser de língua alemã, baseava-se no domínio sobre a zona exercido durante o consulado de Napoleão Bonaparte, mas era fortemente rejeitada pelos alemães.

    Surgiram então canções e poemas rejeitando a pretensão francesa, entre os quais um poema heróico de Nikolaus Becker intitulado Rheinlied (Canção do Reno), que continha o verso: "Sie sollen ihn nicht haben, den freien, deutschen Rhein …" (Jamais o terão, o livre Reno alemão). Musset respondeu a este poema com o seu: "Nous l'avons eu, votre Rhin allemand" (Já o tivemos, o vosso Reno alemão).

    Musset foi exonerado do seu lugar de bibliotecário na sequência da Revolução de 1848, mas foi depois nomeado bibliotecário do Ministério da Instrução Pública durante o Segundo Império.

    Musset recebeu a Légion d'honneur em 24 de Abril de 1845, ao mesmo tempo que Honoré de Balzac, e foi eleito para a Académie française em 1852, depois de duas tentativas frustradas em 1848 e 1850.

    De saúde frágil devido a uma malformação cardíaca congénita, estava frequentemente adoentado, situação que se foi agravando devido ao alcoolismo e a um estilo de vida desregrado. A sua malformação cardíaca provocava abalos cervicais concomitantes com a sua pulsação, fenómeno comum em situações como a insuficiência aórtica. Como Musset tinha essa condição, ela ficou consagrado pela medicina francesa, e hoje por todo mundo, como Sinal de Musset.

    Faleceu em Paris a 2 de Maio de 1857, quase esquecido. A influência do seu irmão mais velho, Paul de Musset, levou a que fosse sepultado no cemitério de Père Lachaise, em Paris, onde hoje uma artística obra funerária o relembra. Foi também Paul de Musset quem exerceu um importante papel na redescoberta da obra de Musset, redigindo a sua biografia e reeditando muitas das suas obras.

    A polémica e os comentários despertados pela sua célebre relação amorosa entre Musset e George Sand, que durou entre 1833 e 1835, levou a que escrevesse a novela autobiográfica La Confession d'un Enfant du Siècle, a que ela ripostou com Elle et lui, recontando a história do seu ponto de vista. Esta obra de Sand, publicada em 1859, não foi bem recebida pelos admiradores de Musset, em particular por Paul de Musset, o irmão do visado, que a parodiou seis meses mais tarde com a obra Lui et Elle.

    Sobre esta relação têm sido publicadas diversas obras, entre as quais Les Amants de Venise, George Sand et Musset de Charles Maurras (1902), que leva a cabo um aturado estudo do envolvimento amoroso e do relacionamento intelectual entre eles.

    H. P. Lovecraft - A Biografia

    A Vida

    Howard Phillips Lovecraft nasceu no dia 20 de agosto de 1890, em Providence, Rhode Island, nos EUA, sendo o único filho de Winfield Scott Lovecraft, um negociante de jóias e metais preciosos, e Sarah Susan Phillips Lovecraft, dentro de uma família tão tradicional que poderiam traçar a sua árvore genealógica na América desde a chegada dos colonizadores em 1630.

    Os seus pais se casaram por volta dos trinta anos, o que era considerada uma idade avançada para um casamento na época. Em 1893, o seu pai teve uma grave crise psicótica em um hotel de Chicago, durante uma viagem de negócios. Ele foi levado de volta para Providence e internado no Hospital Butler, uma casa de repouso. Desde esse incidente ele permaneceu constantemente internado até à sua morte em 1898.

    Nessa época, Lovecraft tinha apenas nove anos de idade, sendo que acreditou ao longo de sua vida que o seu pai havia morrido em um estado de paralisia imposta por “esgotamento nervoso”, devido ao excesso de trabalho. 

    Após a morte do pai, Lovecraft passou a morar com a mãe Sarah, as suas duas tias, Lillian Delora Phillips e Annie Emeline Phillips, e o seu avô, Whipple Van Buren Phillips, na residência da família.

    Lovecraft desde criança era considerado um verdadeiro prodígio, sendo que, com apenas dois anos já recitava poesias, com três já lia e com seis já começava a escrever os seus primeiros poemas. O avô procurava estimular desde cedo o seu interesse pela leitura, oferecendo-lhe livros como “As mil e uma noites”, “O Livro de Ouro da Mitologia” (Age of Fable) de Thomas Bulfinch e versões infantis da “Odisséia” e da “Ilíada” de Homero. 

    Lovecraft era uma criança muito doente, e à fragilidade de sua saúde, ele pouco frequentou a escola antes dos 8 anos de idade, e depois de um ano de estudos na Slater Avenue School deixaria novamente a escola. Durante esse período ele leu vorazmente, interessando-se principalmente por química e astronomia. L. Sprague de Camp, biógrafo de Lovecraft, afirmou que ele sofria de poiquilotermia, uma raríssima doença que fazia com que sua pele fosse sempre gelada ao toque.

    Devido aos seus problemas de saúde, ele frequentou a escola de maneira bastante irregular mas era um leitor contumaz e um magnífico autodidata. Nesse período chegou a publicar amadoramente dois jornais sobre Ciências e Astronomia: “The Scientific Gazette” e “The Rhode Island Journal of Astronomy”, que eram distribuídos entre os seus amigos.

    Quando foi para a escola secundária, Hope Street High School, desenvolveu ainda mais os seus gostos pelos estudos, encontrando incentivo tanto dos professores quanto dos novos colegas. Foi durante esse período, em 1906, que se deu a sua estreia nas letras impressas, através de uma carta sobre astronomia para o Providence Sunday Journal. 

    Logo a seguir ele passaria a contribuir mensalmente com uma coluna sobre astronomia para o Pawtuxet Valley Gleaner, um pequeno jornal de pouca circulação. Nos anos que se seguiram ele colaboraria com vários periódicos como Providence Tribune (entre 1906-1908) e o Providence Evening News (entre 1914-1918), bem como para o Asheville e o Gazette-News (1915).

    Em 1986, o Necronomicon Press, boletim de admiradores de H.P. Lovecraft publicaria em suas páginas as seleções dos primeiros artigos de Lovecraft na imprensa, incluindo a carta sobre astronomia que foi publicada no Providence Sunday Journal e as colunas do Pawtuxet Valley Gleaner. 

    Em 1904, o avô de Lovecraft veio a falecer, o que afetou enormemente a sua vida. A má gestão da herança de seu avô deixou a sua família, em difícil situação financeira. Isso obrigou a família a mudar-se da ampla e bela casa em estilo vitoriano para acomodações muito menores na Angell Street. Lovecraft ficou tão profundamente afetado pela perda de casa onde nasceu que chegou mesmo a pensar em suicidar-se. Felizmente o interesse pela leitura e pelos estudos fizeram com que ele desistisse de tais pensamentos mórbidos.

    De início Lovecraft chegou a escrever alguma ficção, trabalhos juvenis, aos quais não atribuiu muita importância. Entre 1908 até 1913, a sua produção foi principalmente poesia. Durante esse tempo, ele viveu um período de profundo isolamento, com quase nenhum contato com ninguém, excepto com a sua mãe.

    Esse estado de isolamento mudaria um pouco depois que quando escreveu uma carta para a revista The Argosy (estilo pulp fiction), criticando as histórias de amor insípidas de um dos escritores mais populares da publicação, chamado Fred Jackson. 

    Iniciou-se à partir daí um debate através de cartas publicadas na revista Argosy e também em outros periódicos do tipo. Tal debate chamou a atenção de Edward F. Daas, presidente da United Amateur Press Association (UAPA), que convidou Lovecraft para participar da UAPA em 1914. A participação na UAPA ajudou a revigorar Lovecraft incitando-o a contribuir com muitos poemas e ensaios não só para a UAPA mas para vários outras revistas e jornais.

    Em 1917, estimulado por cartas, ele regressou à ficção, com histórias muito bem estruturadas como “O Túmulo” e “Dagon”. Este último foi o seu primeiro trabalho publicado profissionalmente, aparecendo em W. Paul Cook’s, O mendigo (novembro, 1919) e Weird Tales em 1923. 

    Por essa altura começou a corresponder-se com vários leitores e escritores. As suas cartas longas e frequentes fariam dele um dos maiores e mais prolíficos escritores do século XX nessa modalidade. Graças ao estimulo dos missivistas e dos associados da UAPA ele se tornou cada vez mais prolífico e produtivo quanto à ficção, género que o consagrou.

    Em referência à UAPA ele chegou a afirmar várias vezes a importância da associação para a sua carreira e mesmo para a sua vida, até pela forma como isso contribui para tirá-lo do isolamento e principalmente pelo estimulo para retornar à ficção.
    “Em 1914, quando a mão amigável do amadorismo se estendeu para mim, eu estava tão próximo do estado de vegetação quanto qualquer animal… Com o advento da [Associação] Unida, ganhei uma renovação de vida, um senso renovado da existência como sendo algo mais que um peso supérfluo, e encontrei uma esfera na qual podia sentir que meus esforços não eram totalmente fúteis. Pela primeira vez, pude imaginar que as minhas investidas desajeitadas no campo da arte eram um pouco mais do que gritos débeis perdidos no mundo indiferente.” H.P. Lovecraft
    Entre os seus correspondentes estavam Robert Bloch (Psycho), Clark Ashton Smith e Robert E. Howard, criador de Conan o bárbaro e que também escreveu diversos contos onde elementos do imaginário Lovecraftiano faziam participações especiais. Lovecraft junto de Clifford Martin Eddy, Jr., trabalhou como ghostwriter da revista Weird Tales, para artigos do famoso mágico Harry Houdini.

    Além de escritores mais conhecidos e que mantinham correspondência com Lovecraft, havia outros menos conhecidos do público em geral, mas que também foram muito importantes para consolidar o universo imaginário de Lovecraft.

    Em 1919, após sofrer de histeria e depressão durante um longo período de tempo, a mãe de Lovecraft teve um colapso nervoso e foi internada no Hospital Butler, a mesma casa de repouso em que seu marido havia sido internado anteriormente. Durante esse período ela manteve contato com o filho através de cartas frequentes. Lovecraft visitava-a também e eles continuaram muito próximos até à sua morte em 21 de maio de 1921.

    Após a morte da sua mãe, Lovecraft foi a uma convenção de jornalistas amadores, em Boston, onde conheceu Sonia Greene. Nascida em 1883, ela era judia de origem ucraniana e sete anos mais velha do que Lovecraft. Casaram-se em 1924, e logo depois, o casal mudou-se para o bairro do Brooklin na cidade de Nova York. As tias de Lovecraft não ficaram felizes com essa união, primeiro pela diferença de idade e depois, ao que parece, pelo fato de Sonia ser uma comerciante (ela era proprietária de uma loja de chapéus).

    Inicialmente Lovecraft ficou fascinado por New York, mas logo a seguir vieram os problemas. As dificuldades financeiras atingiram o casal, e Sonia perdeu a sua loja de chapéus. Sonia começou a ter problemas de saúde, e como Lovecraft não conseguia emprego, Sonia acabou por mudar-se para Cleveland para conseguir um emprego e Lovecraft manteve-se sozinho em Brooklin Red Hook. 

    Todas as dificuldades que passou nesse período ficaram de certa maneira registadas no conto “O Horror em Red Hook.” Durante este período Lovecraft escreveu “A Cidade Sem Nome” e o conto “O” Cão de Caça”.

    Alguns anos mais tarde, ele e Greene, continuam a viver separadamente, e acabaram por se separar amigavelmente. Ele regressou a Providence para morar com as suas tias. Devido à infelicidade do seu casamento, alguns biógrafos têm especulado que Lovecraft poderia ser assexuado, apesar de que Sonia Greene costumava referir-se a ele como “um amante adequadamente excelente”.

    De volta a Providence, Lovecraft viveria em uma “espaçosa casa de madeira escura, estilo vitoriano”, no nº 10 da Barnes Street. O endereço curiosamente é indicado como a casa do Dr. Willett, em “O Caso de Charles Dexter Ward”. Lovecraft viveu nessa casa até 1933.

    Após o seu retorno a Providence – a última década da sua vida – foi o periodo mais prolífico de Lovecraft. Durante esse período ele produziu a quase totalidade dos seus mais conhecidos contos para as principais publicações da época (principalmente Weird Tales).

    É desse período também “The Case of Charles Dexter Ward” “The Mound,” “Winged Death,” “Imprisoned with the Pharaohs”, “The Diary of Alonzo Typer” e “At the Mountains of Madness”. 

    Com um número cada vez menor de leitores, para sobreviver ele frequentemente revisava trabalhos para outros autores e também atuava como ghost-writter de textos assinados por outros, inclusive poemas e não-ficção.

    Apesar dos seus grandes esforços como escritor, no entanto, ele a cada dia ficava mais pobre. Em 1932, a sua tia Lillian faleceu e no ano seguinte ele mudou-se com a sua tia Annie para uma casa menor e alugada, situada bem atrás da biblioteca John Hay.

    Em 1936, o suicídio de seu amigo, Robert E. Howard, deixou-o bastante abalado. Nesse mesmo ano, Lovecraft foi diagnosticado com cancro de intestino já em estado bastante avançado, além disso ele também passou a sofrer de desnutrição. 

    A doença debilitava-o cada vez mais e fazia-o sentir intensas dores. Em 10 de março de 1937 foi internado no Hospital Memorial Jane Brown, em Providence. Dali a cinco dias, em 15 de março de 1937 veio a falecer, então com 46 anos de idade.

    Howard Phillips Lovecraft foi enterrado no dia 18 de março de 1937, no cemitério Swan Point, em Providence, no jazigo da família Phillips. O seu túmulo é até hoje o mais visitado do local, mas passaram-se décadas sem que seu túmulo fosse demarcado de forma exclusiva, constando o seu nome apenas na lápide familiar.

    A Obra

    1897 The Noble Eavesdropper
    1897 The Little Glass Bottle
    1898 The Secret Cave or John Less Adventure
    1898 The Mystery of the Grave-Yard
    1898/1902 The Haunted House
    1898/1902 The Secret of the Grave
    1898/1902 John, the Detective
    1902 The Mysterious Ship
    1905 The Beast in the Cave
    1907 The Picture
    1908 The Alchemist
    1917 The Tomb
    1917 Dagon
    1917 A Reminiscence of Dr. Samuel Johnson
    1917 Sweet Ermengarde
    1918 Polaris
    1918 The Mystery of Murdon Grange
    1918/1919 The Green Meadow
    1919 Beyond the Wall of Sleep
    1919 Memory
    1919 Old Bugs
    1919 The Transition of Juan Romero
    1919 The White Ship
    1919 The Doom That Came to Sarnath
    1919 The Statement of Randolph Carter
    1920 The Terrible Old Man
    1920 The Tree
    1920 The Cats of Ulthar
    1920 The Temple
    1920 Facts Concerning the Late Arthur Jermyn and His Family (The White Ape)
    1920 The Street
    1920 Life and Death
    1920 Poetry and the Gods
    1920 Celephais
    1920 From Beyond
    1920 Nyarlathotep
    1920 The Picture in the House
    1920/1921 The Crawling Chaos
    1920/1921 Ex Oblivione
    1921 The Nameless City
    1921 The Quest of Iranon
    1921 The Moon-Bog
    1921 The Outsider
    1921 The Other Gods
    1921 The Music of Erich Zann
    1921/1922 Herbert West — Reanimator
    1922 Hypnos
    1922 What the Moon Brings
    1922 Azathoth
    1922 The Horror at Martin’s Beach
    1922 The Hound
    1922 The Lurking Fear
    1923 The Rats in the Walls
    1923 The Unnamable
    1923 Ashes
    1923 The Ghost-Eater
    1923 The Loved Dead
    1923 The Festival
    1924? Deaf, Dumb, and Blind
    1924 Imprisoned with the Pharaohs
    1924 Under the Pyramids
    1924 The Shunned House
    1925 The Horror at Red Hook
    1925 He
    1925 In the Vault
    1926? The Descendent
    1926 Cool Air
    1926 The Call of Cthulhu
    1926 Two Black Bottles
    1926 Pickman’s Model
    1926 The Silver Key
    1926 The Strange High House in the Mist
    1926 Supernatural Horror in Literature
    1927 The Dream-Quest of Unknown Kadath
    1927 The Case of Charles Dexter Ward
    1927 The Colour Out of Space
    1927 The Very Old Folk
    1927 The Last Test
    1927 History of the Necronomicon
    1928 The Curse of Yig
    1928 Ibid
    1928 The Dunwich Horror
    1929 The Electric Executioner
    1930 The Mound
    1930 Medusa’s Coil
    1930 The Whisperer in Darkness
    1931 At the Mountains of Madness
    1931 The Shadow Over Innsmouth
    1931 The Trap
    1932 The Dreams in the Witch House
    1932 The Horror in the Museum
    1932 Winged Death
    1933 Through the Gates of the Silver Key
    1933 Out of the Aeons
    1933 The Thing on the Doorstep
    1933 The Evil Clergyman
    1934 The Book
    1934 The Tree on the Hill
    1934 The Battle that Ended the Century
    1934 The Thing in the Moonlight
    1935 The Horror in the Burying-Ground
    1935 The Shadow Out of Time
    1935 Till A’ the Seas
    1935 Collapsing Cosmoses
    1935 The Challenge of Beyond
    1935 The Disinterment
    1935 The Diary of Alonzo Typer
    1935 The Haunter of the Dark
    1935 Fungi From Yuggoth
    1936 In the Walls of Eryx
    1936 The Night Ocean
    1949 Something about Cats


    Alberto Moravia - Biografia

    A Vida:

    Alberto Pincherle (1907-1990), que ficou conhecido com o pseudónimo de Alberto Moravia, nasceu em Roma, Itália. De origem judaica, é um dos grandes escritores do século XX. Acreditava na necessidade de haver coerência entre a literatura e a militância política.

    Na adolescência, foi obrigado a interromper os estudos para tratar da saúde. Moravia contraiu tuberculose óssea quando tinha nove anos e passou boa parte da infância e adolescência em sucessivos sanatórios. Talvez este isolamento, que compensou lendo vorazmente, explique o milagre da precocidade literária do escritor. Seu interesse pela literatura, assim, nasceu no período em que ficou hospitalizado.

    Ainda muito jovem começou colaborando em jornais e, em 1929, publicou o seu primeiro romance (com recursos próprios), Gli Indifferenti (Os Indiferentes), uma análise impiedosa da decadência moral da burguesia italiana. 


    Este romance de feição existencialista consagrou-o como escritor, e teve um forte impacto na literatura italiana da época. A ação do livro decorre em pouco mais de 48 horas e centra-se em cinco personagens e três casas. É como uma peça de teatro em que o espectador não só ouve os diálogos das personagens, mas, por via telepática, sabe também o que elas estão pensando. Moravia tinha apenas 22 anos quando publicou este lúcido e sufocante retrato da natureza humana.

    Em 1929, na Itália, foi também o ano de consolidação do governo fascista, com a assinatura de uma concordata entre Mussolini e o Vaticano. E era difícil não ler no livro de Moravia, com o seu retrato impiedoso da decadência da média burguesia romana, uma crítica à atitude demissionista com que a sua própria classe social vinha assistindo ao endurecimento do regime.

    O escritor não teve, aliás, de esperar muito tempo para ver as suas obras proibidas pelo governo de Mussolini e colocadas no Index do Vaticano. A crueza com que Moravia retrata o sexo, que já neste seu primeiro livro surge como uma atividade inteiramente desligada de qualquer contexto sentimental, devia irritar particularmente a Igreja.

    De família judaica e militante de esquerda, viveu nos Estados Unidos durante a II Guerra Mundial (1939-1945). Retornou à Itália após o conflito e retomou a militância, ao mesmo tempo que crescia o seu prestígio no exterior com a adaptação de obras suas para o cinema. 

    Os seu temas principais são o desamor, a aridez da vida moderna e a corrupção da alta classe média. 

    A sua obra-prima é O Desprezo (1954), romance em que conta a história de um intelectual abandonado pela jovem mulher. Em 1984 foi eleito pelo Partido Comunista deputado ao Parlamento Europeu. Morreu em Roma.
    Romancista consagrado com títulos como Os Indiferentes, A Romana, As Ambições Frustradas, teve alguns de seus romances filmados por Bertolucci (O Conformista) e Godard (Le Mépris), entre outros. Moravia escreveu ainda centenas de contos, a maioria deles disponíveis em português: Contos Romanos, Novos Contos Romanos, A Casa de Praia das Sextas-feiras, A Coisa e outros contos e Contos Surrealistas e Satíricos.

    Da sua obra fazem ainda parte Diciotto Liriche (1920), La Bella Vita (1935), Il Conformista (1951), Racconti Romani (1954) e outros títulos.

    A Obra:

    GLI INDIFFERENTI, 1929 – Time of Indifference – film 1963, dir. Francesco Maselli 

    LE AMBIZIONI SBAGLIATE, 1935 – Wheel of Fortune / Mistaken Ambitions 

    LA BELLA VITA, 1935 

    L’IMBROGLIO, 1937 

    IL SOGNI DEL PIGRO, 1940 

    LA MASCHERATA, 1941 – The Fancy Dress Party 

    LA CETONIA, 1943 

    L’AMANTE INFELICIDE, 1943 

    LA SPERANZA OVVERO CHRISTIANISMO E COMMUNISMO, 1944 

    AGOSTINO, 1944 – Two Adolescents – Välinpitämättömät – film 1963, dir. Mauro Bolognini 

    L’EPIDEMIA, 1944 

    DUE CORTIGIANE E SERATA DI DON GIOVANNI, 1945 

    LA ROMANA, 1947 – The Woman of Rome – Roomatar – film 1954, dir. Luigi Zampa 

    LA DISUBBIDIENZA, 1948 – Disobedience 

    L’AMORE CONIUGALE, 1949 – film 1971, dir. Dacia Maraini 

    IL CONFORMISTA, 1951 – The Conformist – film 1970, dir. Bernardo Bertolucci, starring Jean-Louis Trintignant, Stefania Sandrelli, Gastone Moschin, Dominique Sanda, Enzo Taroscio. "The film succeeds in unmasking Marcello as a conformist not to some illusory social standard but rather to unconscious desires and structures. The genius of Bertoluci’s film is that it succeeds in reincorporating most of Moravia’s narrative elements into a new and more meaningful oneiric structure while at the same time subtly but surely addressing the issue of the relationship between original text and film." (T. Jeferson Kline in ‘The Unconformist’, from Modern European Filmmakers and the Art of Adaptation) 

    I RACCONTI, 1952 

    RACCONTI ROMANI, 1954 – Roman Tales 

    IL DISPREZZO, 1954 – A Ghost at Noon – Keskipäivän aave – film Le Mépris, dir. Jean-Luc Godard (1964), starring Brigitte Bardot, Michel Piccoli, Jack Palance, Fritz Lang, Giorgia Moll, Jean-Luc Godard 

    L’EPIDEMIA, RACCONTI SURREALISTI E SATIRICI, 1956 

    Bitter Honeymoon and Other Stories, 1956 

    LA CIOCARA, 1957 – Two Women – Kaksi naista – film 1960, adapted for the screen by Vittorio de Sica, starring Sophia Loren, Jean-Paul Belmondo, Eleonora Brown, screenplay by Cesdare Zavattini and De Sica . "The tragic history of these two women is not given time and space to work itself out, so that at the end, they lose their individuality and rich, willful humanity, and become puppets dancing to a production stopwatch." (Robert Hatch in The Nation, June 3, 1961) 

    TEATRO, 1958 

    UN MESE IN URSS, 1958 

    NUOVI RACCONTI ROMANI, 1959 – More Roman Tales 

    The Wayward Wife and Other Stories, 1960 

    LA NOIA, 1960 – The Empty Canvas – Tyhjä kangas – film 1964, dir. Damiano Damiani; film L’Ennui, 1998, dir. by Cedric Kahn, starring Charles Berling, Sophie Guillermin, Arielle Dombasle 

    L’AUTOMA, 1962 – Automaatti 

    CLAUDIA CARDINALE, 1962 

    UN’IDEA DELL’INDIA, 1962 

    L’UOMO COME FINE, 1963 – Man as an End 

    L’ATTENZIONE, 1965 – The Lie – Valhe 

    CORTIGIANA STANCA, 1965 

    LE LUZI DI ROMA, 1965 

    IL MONDO È QUELLO CHE È, 1966 

    L’INTERVISTA, 1966 

    UNA COSA È UNA COSA, 1967 – Command and I Will Obey You 

    IL DIO KURT, 1968 

    LA RIVOLUZIONE CULTURALE IN CINA, 1968 – The Red Book and the Great Wall – Maon Kiina eli kivinen kutsuvieras 

    RACCONTI DI ALBERTO MORAVIA, 1968 

    LA VITA È GIOCO, 1969 

    IL PARADISO, 1970 – Bought and Sold / Paradise and Other Stories 

    IO E LUI, 1971 – Two: A Phallic Novel / The Two of Us – Minä ja hän 

    A QUALE TRIBÙ APPARTIENI, 1972 – Which Tribe Do You Belong To? 

    L’AMORE CONIUGALE, 1972 

    UN’ALTRA VITA, 1973 – Lady Godiva and Other Stories / Mother Love 

    CORTIGIANA STANCA, 1974 

    AL CINEMA, 1975 

    BOH, 1976 – The Voice of the Sex and Other Stories 

    LA VITA INTERIORE, 1978 – Time of Desecration – Desideria 

    UN MILIARDO DI ANNI FA, 1979 

    COSMA E I BRIGANTI, 1980 

    IMPEGNO CONTROVOGLIA, 1980 

    LETTERE DAL SAHARA, 1981 

    STORIE DELLA PREISTORIA, 1982 

    LA COSA E ALTRI RACCONTI, 1983 – Eroottisia tarinoita 

    1934, 1982 – Vuosi 1934 

    L’UOMO CHE GUARDA, 1985 – The Voyer – Sivustakatsoja 

    L’ANGELO DELL’INFORMAZIONE A ALTRI TESTI TEATRALI, 1986 

    L’INVERNO NUCLEARE, 1986 

    PASSEGIATE AFRICANE, 1987 

    IL VIAGGIO A ROMA, 1988 – Journey to Rome – Matka Roomaan 

    LA VILLA DEL VENERDI E ALTRI RACCONTI, 1990 – Perjantain huvila ja muita kertomuksia 

    VITA DI MORAVIA, 1990 – Life of Moravia (with Alain Elkann, trans. by William Weaver) – Moravian elämä 

    DONNA LEOPARDO, 1993 (unfinished novel) 

    VIAGGI. ARTICOLI, 1930-1990, 1994 (ed. Enzo Siciliano)

Feature