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    D. H. Lawrence | O Amante de Lady Chatterley

    O enredo de “O Amante de Lady Chatterley” atraiu a atenção da sociedade britânica mais conversadora – e consequentemente puritana -, acabando por ser proibido durante décadas. Publicado em 1928, foi proibido na Inglaterra durante 32 anos por ter sido considerado imoral e pornográfico pela crítica inglesa. 

    Foi graças a esta história que D. H. Lawrence conheceu a fama ao longo dos tempos – foi a proposta de um novo mito de erotismo, dando à sensualidade “tudo o que, até aqui, era dado ao amor: de fazer dele o meio da nossa própria revelação”.


    Apesar de ser inglês, o autor não conseguiu ver a sua obra publicada no seu país, pois veio a falecer em 1930 com apenas 44 anos, vitimado pela tuberculose que o acompanhou por quase toda a vida.

    Sobre a obra:

    Constance, a Lady Chatterley, casou-se com Clifford Chatterley, em 1917, e conheceu-o por inteiro por apenas um mês. 

    Ao ser enviado para a Grande Guerra, Clifford acabou por regressar com a metade do corpo inferior completamente paraplégico e volta, com a sua jovem esposa, para o casa da família: Wragby Hall.

    Para Constance Chatterley “deixou de haver um caminho ameno para o futuro”, e há que viver “por mais que os céus tenham desabado sobre nós”. 

    Constance e a sua irmã Hilda tiveram uma “educação esteticamente não convencional” por terem sido levadas para Paris e Roma para respirarem arte e em direcção a outros interesses, ao serem colocadas em grandes convenções socialistas em Haia e em Berlim. 

    Imune à intimidação da arte ou das ideologias políticas, Constance acaba por se ver fechada nas paredes de Wragby no seu papel de enfermeira e cuidadora do marido. Uma rotina que se revela, a cada dia que passa, cada vez mais monótona e desinteressante.

    Com Clifford a depender cada vez mais da esposa, apesar de demonstrar o seu poder “sinistro” sobre todos os outros elementos da sociedade, Connie (Constance) acaba por encontrar um refúgio em Mellors, o guarda de caça de Wragby. 

    Atormentado pela falta de ingenuidade devido à caótica sociedade em que vive, Mellors acaba por se ligar, aos poucos, a Constance. O amor que os une nasce de uma relação sexualmente satisfatória, em que ambos se querem saciar e explorar os seus corpos. 

    Sobre os personagens:

    A obra gira quase por inteiro em torno dos quatro principais personagens. O autor procura descrevê-los de acordo com o papel que vão representar na obra.

    Constance é descrita de forma a mostrar o que era antes e depois do casamento, e posteriormente o que veio a ser após o encontro com Mellors. Além disso, é importantíssima a origem abastardada, a educação livre e o sexo antes do casamento. 

    Teve uma intimidade maior antes do casamento do que com o esposo. Apesar de se sentir infeliz sexualmente no casamento, é uma mulher segura de si mesma. É importante notar que ela modifica-se sensivelmente ao longo da narrativa. Até se envolver com Mellors, ela não tivera um relacionamento pleno com um homem; e quando o tem, afasta-se progressivamente do marido até abandoná-lo para ficar com o amante.

    Mellors difere de todas as outras personagens masculinas. Levou uma vida errante, casou-se, teve uma filha e separou-se partindo para as colónias. Ao regressar, empregou-se como guarda-caça de Clifford. 

    É um homem solitário, avesso ao convívio social e procura levar uma vida tranquila junto da natureza. Não se importa com o dinheiro e também não pretende envolver-se com nenhuma mulher; por isso deseja ficar só e desliga-se completamente do mundo exterior, refugiando-se na floresta. Não era um homem bonito, mas atraente. Além disso, era sincero, pouco exigente em matéria de amor e, apesar de dominar o inglês, prefere usar um dialeto vulgar.

    Clifford é um homem rico e poderoso. Dono de Wragby, da mina e da vila, casou-se com Constance e logo depois foi para a guerra; regressou mutilado e impotente, obrigado a viver numa cadeira de rodas. Por isso, não tem ligação sexual alguma com a esposa. 

    Depois de curar-se dos ferimentos, passa a dedicar-se à literatura. Incentivado, porém, pela enfermeira, ele abandona a literatura e entrega-se à administração da sua mina. Apesar de tradicionalista e aristocrático, é capaz de aceitar que a esposa tenha um filho de outro homem para continuar a sua linhagem. Contudo, o seu status social não o impede de ter um comportamento infantil do início ao fim da obra.

    Sra. Bolton é a enfermeira contratada para cuidar de Clifford. É uma viúva e tem duas filhas adultas. Ela acredita que todos os homens não passam de bebés. E é com esse comportamento que ela vai influenciar o paciente. 

    Logo de início, ela conquista a confiança e a atenção do patrão. Apesar de ser uma mulher de grande bom senso e dona de certo cepticismo, é uma mulher que também gosta de fazer intriga sobre a intimidade de todos os moradores da vila. Inclusive é ela quem espalha pela vila a notícia de que Constance está grávida e que o filho provavelmente não era do esposo. 

    Esses personagens, na verdade, formam dois pares: Constance/Mellors, o casal saudável e Sra. Bolton/Clifford, o casal doentio.

    Além desses personagens, há os personagens secundários como: Sir Malcolm, pai de Constance, que é um homem sensual e aberto, e responsável pela educação liberal da filha; Michaelis, o primeiro amante de Constance, é um homem atirado, cínico e dissimulado que não conseguia satisfazer sexualmente a parceira por ter ejaculação precoce; Tommy Dukes, amigo de Clifford, é um homem culto, valoriza mais a contemplação do que a especulação filosófica e admite que o sexo é importante nas relações entre homens e mulheres; Leslie Winter, o padrinho de Clifford, é um velho aristocrata conservador que acredita nas teorias racistas em voga no início do século; Hilda, a irmã mais velha de Constance, que não admite relacionamento entre pessoas de classes diferentes e, mesmo assim, ajuda a irmã a encontrar-se com Mellors.

    O Tempo e o Espaço

    O tempo é rigorosamente cronológico, cobrindo um período de mais ou menos um ano. Começa com o casamento de Clifford e Constance em 1917 e vai até a carta que Mellors escreve para a amante, na primavera seguinte.

    A vida das personagens está condicionada aos ciclos naturais. Apesar da ausência específica de datas, é possível concluir que a narrativa é linear.

    O espaço é aberto. Essa parece ser uma preocupação do autor, pois há uma clara distinção entre espaço social e natural e que chega a ser quase uma oposição. Enquanto o primeiro é sempre pesado, feio, deprimente e opressivo, o segundo é belo, saudável e agradável.

    Apesar de que não haver quase sempre uma descrição detalhada dos ambientes fechados, sente-se a preocupação de eles reflectirem a personalidade dos seus habitantes. Além disso, o autor adota sempre uma perspectiva realista em relação ao espaço social e as suas mudanças não passam despercebidas ao narrador.

    O livro é narrado em terceira pessoa, em que o narrador demonstra saber tudo do começo ao fim da obra. Ele, por sua vez, adota uma posição favorável às mulheres. Em alguns momentos, ele partilha as mesmas sensações e os mesmos ideais que os das personagens.

    A Mensagem

    A obra faz uma clara distinção entre os dois tipos de relacionamento, dando a impressão de que a intenção do autor foi justamente levar-nos a optar entre um e o outro. Ou seja, poderá optar entre o relacionamento Constance/Mellors ou pelo do Sra. Bolton/Clifford.

    No primeiro caso, está o relacionamento saudável, representado pelos Amantes. A união entre os dois rompe com todas as convenções sociais. Constance e Mellors são, a bem da verdade, apenas um homem e uma mulher que desejam levar ao limite todas as possibilidades da sua união. Isso é confirmado pela plena satisfação sexual que obtêm nos contatos físicos. E é justamente essa satisfação que mantém estável emocionalmente o relacionamento entre os dois.

    No segundo caso, está o relacionamento doentio entre o paciente e a sua enfermeira. Isso fica evidente pelo tratamento que ela dispensa a Clifford, tratando-o como um bebé e por optar pela intimidade doentia com ele, do que se casar com outro homem.

    Diante de tantas evidências apresentadas no romance, é possível afirmar que a ligação entre o primeiro casal é fruto das suas inclinações naturais, enquanto a ligação do segundo casal é resultado dos seus desvios emocionais que podem ser entendidos como uma regressão.

    Isso leva-nos a entender o porquê da preocupação do autor na caracterização psicológica dos personagens. Essa caracterização não é nada mais nada menos que uma forma de mostrar a afinidade associativa. Afinidade essa que faz com que pessoas semelhantes no comportamento psicológico tendem a aproximar-se uma da outra.

    Acreditando nessa afinidade, o autor quis mostrar que nenhuma convenção social é capaz de impedir que duas pessoas semelhantes se aproximem. Mesmo quando essas duas pessoas são de classes, nível cultural e estilo de vida tão diferente.

    Sabendo-se que Lawrence era um homem culto, ele pode ter sido influenciado pelas teorias de Freud ao escrever este romance; uma vez que a ênfase dada ao sexo na construção da personalidade é produto das teorias freudianas.

    Acabando:

    A conclusão que se chega ao final da história é que o livro é uma obra que se aproxima do Realismo.

    Isso pode ser afirmado pelo tratamento dispensado ao espaço social e à traição. Este último, porém, não tem a importância na obra como teve no Realismo. Outra coisa que a diferencia um pouco do realismo é a conduta dos personagens em relação à raça e ao meio. Aqui o que importa são as necessidades sexuais do casal Constance/Mellors e não os outros detalhes.

    Outra coisa importantíssima é se o livro é uma obra pornográfica ou não. Essa é uma controvérsia difícil de resolver; mas, se analisarmos bem a obra e todo o conjunto das obras do autor, é possível chegar a conclusão de que não. 

    O livro apesar das descrições de atos sexuais, não é uma obra pornográfica. Isso fica evidente na diferenciação que o autor faz ao descrever o sexo antes e depois do início do relacionamento entre Mellors e Constance. 

    Ao verificarmos, fica evidente a diferença entre o ato físico e o sentimento que o envolve. Ou seja, o autor quis mostrar que fazer sexo sem amor é uma coisa e fazer amor é outra totalmente diferente.

    Os livros eróticos e a Teoria Literária?

    Na escrita erótica existe um recurso que o melhor romance policial ou a mais incrível ficção científica podem não apresentar: a ambiguidade das palavras. Segundo o crítico literário Viktor Chklovski em A arte como procedimento (1917), é essa capacidade de descrever as coisas de forma diversa do comum, presente na literatura erótica, que constitui a chave da escrita literária.


    Os objetos se tornam únicos, através do que Chklovski chama de processo de singularização. Onde as cenas, os sentimentos, os desejos e as ações para que possam ser compreendidas pelo leitor, exigem uma interpretação do que se encontra nas entrelinhas. Um lento percurso descritivo, o uso da comparações entre itens diversos como as hastes de uma ratoeira e as pernas de uma mulher durante o prazer, compõe o método ideal para aprender a fazer Literatura!

    Ela continuou fingindo que estava dormindo e eu lancei-me com maior avidez sobre o meu alimento de amor, sem abrandar senão quando as coxas dela se apertaram convulsivamente no meu rosto, como a mordedura de uma ratoeira de fresca e musculosa carne jovem. (‘A Coisa | Contos Eróticos’ de Alberto Moravia)


    5 Passos da Teoria Literária para quem se quer tornar escritor ou um bom leitor:

    Chklovski ensina que se deve dar atenção ao seguinte:

    • Aprenda a diferença entre a língua falada e as palavras utilizadas na literatura.
    • Entenda a Lei da Economia das Energias Criativas (para não a usar na escrita literária!).
    • Compreenda a ambiguidade como algo bom!
    • Perceba a obscenidade como método de uma escrita viva e impactante.
    • Mais que tudo, saiba que a arte é pensar por imagens!

    A língua falada versus as palavras utilizadas na literatura

    Existem diferenças entre as palavras utilizadas no quotidiano e aquelas que são empregadas pela literatura.

    Quando conversamos com alguém, a nossa intenção é transmitir uma mensagem que seja clara e objetiva. Ninguém, ao contar sobre um encontro que teve com quem se tem uma atracção, diz ao colega: “A pele do meu amado era ardente como o fogo do desejo, e a sua boca, um pêssego aveludado que acariciava o meu corpo nu”. 

    Perdoada a aventura dessa escritora em produzir erotismo, o mais correto é que se diga “Ele tem um beijo maneiro e é muito gostoso”. Na primeira frase modificamos os usos comuns das palavras para atribuir um significado ampliado, que exige que façamos conexões entre os diversos sentidos das palavras (é preciso associar frutas e sensualidade, a pele com o fogo, etc.).

    Temos palavras que poderiam não se relacionar, mas que através da escrita literária (especialmente a escrita erótica) se conectam para construir um significado totalmente novo.

    O objeto artístico ou estético nasce a partir do significado autêntico que determinada palavra ganha na produção literária. A invenção de uma imagem através da arte dá-se de acordo com a leitura de cada pessoa, num processo em que a escrita ganha formas e resultados diferentes.

    Lei da economia das energias criativas

    Na construção de conceitos da Teoria Literária, Chklovski identificou um pensamento muito recorrente: o de que a escrita perfeita se dá com o uso do menor número possível de signos.

    A lei da economia das energias criativas, como é chamada essa ideia, defende a utilização reduzida de palavras para expressar uma mensagem. A capacidade de síntese e objetividade é o que irá determinar a qualidade do texto. Isso é ótimo, mas não para a literatura. Na criação do texto poético torna-se preciso abandonar qualquer influência da lei da economia das energias criativas.

    A ambiguidade como algo bom

    Uma das características da literatura erótica é nunca dizer as coisas como elas realmente são. As palavras têm significados duvidosos e ao mesmo tempo em que se descreve um convite para uma bebida, a depender da narrativa, o significado pode ser completamente outro.

    A obscenidade contra a mecanização das coisas

    A partir da demonstração do obsceno e da sensualidade enquanto lugares criados pela transformação das palavras, Chklovski apresenta a escrita erótica na sua contribuição para a Teoria Literária. Onde as imagens, quando produzidas durante a leitura, transcendem os significados usuais dos signos e proporcionam ao leitor um exercício de percepção das coisas de forma livre e não mecanizada.

    Essa liberdade de visão sobre os objetos do mundo choca-se com o processo de automatização a que estamos submetidos. A nossa percepção dos objetos costuma ser superficial, diz Chklovski, vemos as coisas como se estivessem embrulhadas em papel de presente.

    Quotidianamente, não analisamos ou vemos os objetos à fundo. E diz, em referência à Tolstoi, aquele que vive sem consciência das coisas, não vive.

    A Arte é pensar por imagens

    Se a arte é pensar por imagens, na escrita literária, o melhor método para a produção das imagens é aquele utilizado na escrita erótica. A subversão dos sentidos, a ida até o fundo dos objetos, a saída do conforto, indo de encontro ao choque e ao espanto. A criação literária depende do esforço de erotização do mundo.

    Créditos a Amanda Lima em medium.com/

    Maxim Jakubowski | Entrevista

    Sean Tuohy é um importante comentador desportivo nos EUA  e Maxim Jakubowski um importante escritor inglês em várias áreas desde a ficção cientifica à literatura erótica.

    Parece não haver nenhum género que possa conter o autor Maxim Jakubowski. Da ficção hardboiled à science-fiction, Jakubowski é um escritor trabalhador e habilidoso. As antologias de Jakubowski são altamente elogiadas, e o  Mammoth - O Livro de Pulp Fiction foi o romance de entrada que o levou a uma ficção policial pesada.

    Esta é uma entrevista que está publicada na writersbone.com/, pelo que ficam aqui registados os seus créditos.

    As entrevistas embora tenham muito de preparado num jeito de antecipação calculada trazem sempre consigo aspectos inesperados, genuínos, que reflectem pelo menos, num dado momento, as preocupações e a alma do escritor, daí serem tão importantes.


    Sean Tuohy: Quais os autores com que você adorou crescer?

    Maxim Jakubowski: Não posso dizer que adorei autores. Alguns eu gostava mais do que outros e tomei como regra ler mais se gostasse deles. A minha primeira grande “paixão” literária foi Júlio Verne apenas por causa de seu senso de admiração e originalidade, o que provavelmente me levou a começar a escrever ficção científica e fantasia na minha adolescência e depois.

    ST: O que te atraiu para a ficção criminal?

    MJ: Sempre fui um amante da ficção popular / de género ao lado do que pode ser chamado de literatura “mainstream”, mais uma vez porque o género deve apelar em primeiro lugar para a imaginação e não para os sentidos, e muitas vezes o fantástico é mais atraente que contos de pia de cozinha ou costumes sociais. Mas hoje em dia todos eles coexistem alegremente no meu menu de leitura e as minhas escolhas são bastante idiossincráticas.

    ST: Qual é o seu processo de escrita: delinear então começar a escrever ou apenas vomitar na página e ver o que acontece?

    MJ: As histórias curtas simplesmente surgem do nada e são frequentemente improvisadas. Novelas menos, e tem que ser brevemente delineado, mas não excessivamente preparado, na medida em que a escrita se torna entediante. O período mais longo e mais difícil é a gestação real quando nenhuma escrita está sendo feita e tudo gira na minha mente até que eu tenha uma correção na história, nos personagens e em alguma forma de estrutura, ponto no qual eu realmente começarei a trabalhar. Em alguns livros podem levar anos, com outros menos. Além disso, na última década, todos os meus romances foram vendidos aos editores em linhas muito antes de uma palavra ser colocada no papel; então tornou-se uma obrigação financeira trabalhar dessa maneira.

    ST: O que o futuro reserva para Maxim Jakubowski?

    MJ: Só para continuar escrevendo o que eu quero escrever, independentemente das demandas de mercado ou de género. Os próximos dois livros são um longo thriller psicológico com várias reviravoltas importantes sob o meu principal pseudónimo, que eu tinha reservado até agora para o meu erotismo; como esse mercado já entrou em colapso, mas eu tenho uma "marca" por isso faz sentido mudar esse nome do autor para um género vizinho e, o primeiro romance com o meu próprio nome em quatro anos, um thriller pós-apocalíptico que começa como um fio condutor padrão e se transforma em algo bastante curioso e sobrenatural à medida que avança.

    ST: Que conselho você dá aos aspirantes a escritores?

    MJ: Não falem sobre isso, apenas escrevam. Ler. Viver.

    ST: Você pode nos contar um facto aleatório sobre você?

    MJ: Eu sobrevivi um fim de semana inteiro com um quilo de batatas.


    Por Sean Tuohy, 25-02-2016


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