Roma. Pós-Primeira Guerra Mundial.
Michele é um jovem numa revolta inoperante contra o vazio da vida burguesa. Órfão de pai, vê a mãe agarrar-se com devoção a um amante ocioso e calculista, Leo, enquanto a irmã, sem qualquer confiança na ideia de casamento ou de carreira, se deixa arrastar indolentemente pelos avanços do mesmo homem.
Leo Merumechi é um comerciante sem escrúpulos que se envolve com a filha da amante, usando a sua relação com ambas como uma estratégia para “deitar as mãos” às propriedades da família.
Indiferentes, os 4 ou 5 personagens do romance são arrastados por Leo, inconscientemente, para um processo de dominação em relação ao qual demonstram uma inactividade por vezes desesperante.
Hostil a este que reconhece ser um jogo sem escrúpulos, Michele é instigado por uma amiga da família, também ela antiga amante de Leo, a tomar uma atitude, mas o estado de torpor em que vive - em que todos eles vivem - parece ser demasiado profundo.
Cinco personagens, alguns dias, uma sucessão de intrigas familiares.
Os Indiferentes é uma história de contornos simples que põe em evidência o tédio da existência, o erotismo desapaixonado, a decadência de valores na qual assenta a ascensão social dos tempos modernos. Trata-se também de uma reflexão sobre o medo, ou pelo menos sobre a insegurança, que leva as pessoas a deixar-se arrastar pelos outros quando estes demonstram poder.
Por outro lado, há as condições materiais. Na esteira do neo-realismo, Morávia aborda a Itália do pós guerra como um meio decadente, onde o acesso à riqueza se reveste de estratégias pouco claras, onde o recurso à burla se torna banal. Este decadentismo ético e moral conduz a uma vontade de afirmação social que põe em causa os padrões morais da época.
Acima de tudo, é uma obra sobre a inacção. Indiferença e cobardia resultam em infelicidade. Parece-me ser esta a ideia fundamental do livro.
Publicado em 1929, este primeiro romance de Alberto Moravia teve um impacto marcante no meio literário italiano da época e é considerado uma obra-prima da literatura decadentista. É a sua primeira obra, escrita com apenas 22 anos. Talvez por isso, o livro mistura uma grande simplicidade narrativa com aquele traço de génio tão peculiar em Morávia: um estilo directo, frontal por vezes frio, outras vezes terrivelmente apaixonado.
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